Abrace os Blogs:
Um estudo empírico sobre o processo de recepção em Weblogs

Carmela Toninelo


Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Centro de Ciências da Comunicação

Abrace os Blogs:
Um estudo empírico sobre
o processo de recepção em Weblogs

Autora: Carmela Toninelo

Monografia de Conclusão do Curso de Jornalismo

Orientador: Ms. Fabrício Silveira

São Leopoldo, 13 de junho de 2003.


RESUMO

A diferença inovadora dos estudos sobre comunicação no âmbito da Internet consiste na ultrapassagem dos esquemas funcionalistas que explicavam o processo comunicacional centrado apenas em observações. Neste trabalho buscamos estudar apenas um viés desses novos campos de experiência a partir de nossa análise sobre o processo de recepção em Weblogs. Através de um trabalho empírico dentro deste ambiente exploramos a natureza complexa do processo de recepção ao mapear aspectos como interpretação, sensibilidade e interação nesse processo. Partimos do pressuposto que os receptores propiciam a configuração de um mundo sensível, e que elementos como a prática e o discernimento humano desempenham um papel muito importante no estudo da recepção deste ambiente.


Abstract

The innovative different in communication studies when applied to the Internet consists in surpassing functionalist systems which described the communication process centered solely on observation. In this effort we seek to study only one channel/perspective of these new fields of experience through our analysis in the Weblog reception process. In working empirically within this environment we explore the complex nature of the process of reception by mapping aspects like interpretation, sensibility and interaction. We start by assuming that the receptors make the configuration of a sensitive world possible. Furthermore, we assume that elements like practice and human discernment perform a very important role in the study of reception in this environment.

 


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Agradecimentos

Foi porque um dia meu orientador me emprestou o livro errado que este trabalho nasceu. E eu me lembro que um dos primeiros conselhos que recebi quando comecei a escrever foi: "cuidado pra não abraçar o mundo com o TCC". Então eu resolvi abraçar os blogs trazendo o código para o coração, que é o que Gustavo Fischer diz ser o que eu faço de melhor  desde o primeiro minuto
que conversamos  sobre web e vida.

Muitas pessoas colaboraram para as idéias aqui presentes. Em especial, devo agradecer a todos os 'bloggers' que tão atenciosamente e prestativamente responderam minhas perguntas, e a Chuck Olsen a quem no final da pesquisa eu encontrei como um novo amigo.

Devo muito a agradecer também a cinco pessoas: meus pais pelo apoio e atenção, meu orientador, Fabrício Silveira por toda a paciência, reflexão e abraços, a Gustavo Fischer que tantas vezes cuidou de minhas angústias sendo um super conselheiro, e a Charles Di Pinto por ter me acompanhado nesta pesquisa durante dias e noites, sendo o companheiro de sempre para todas as horas.


Sumário

INTRODUÇÃO

1          blah blah blah blogs

1.1       Da etimologia à caracterização

2          quem mora na blogosfera

2.1       Cinco weblogs em estudo

3          uma biblioteca à blogosfera

3.1       Em busca da reflexão teórica

4          os vizinhos da Blogosfera

4.1       O percurso da investigação empírica

5          A (há) vida na blogosfera

5.1       A incorporação de referências à investigação empírica

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANEXOS

 


Introdução

Há algum tempo mudanças inquietam nossa sociedade. A potencialidade de alterações radicais em todos os níveis de nossas formas de viver e nos comunicar faz com que alguns antevejam uma era de ouro da humanidade – em que todos conectados se comunicarão com o mundo –, enquanto outros acreditam que passamos somente por um processo de imbecilização do mundo, nas quais as mudanças que sempre ocorreram naturalmente são agora vistas sob o escopo de revoluções mundiais.

Seja qual for o real posicionamento destas mudanças, uma coisa parece ser clara: o mundo como conhecemos passa por um processo de mutação. Os responsáveis por isto são os computadores, a linguagem digital e as novas tecnologias da comunicação e informação (NTICs), de transmissão de dados. Alguns autores falam em "Modo de Vida Digital", "Geração Digital", "N-Generation", "Sociedade sem Papel" e "Infoera". Estes são alguns dos títulos deste novo estilo de vida que se prenuncia.

O fato é que dúvidas existem, primeiro devido à velocidade das mudanças dos implementos técnicos, que antes levavam gerações para serem aperfeiçoados e agora mudam em questão de meses. De acordo com a Lei de Moore [1] , "a capacidade de processamento dos computadores dobra em média a cada 18 meses".

A revolução se encontra no ponto em que a linguagem digital permite que em uma mesma plataforma sejam transmitidas as mais variadas informações (textos, hipertextos, vídeos, sons, imagens). Isto, somado à presença universal dos computadores e da extensa rede de comunicação, que se estende pelo planeta, faz com que em poucos segundos tenhamos uma quantidade de informações jamais dantes sonhadas.

O resultado disto é que temos novas formas de nos comunicar; ou melhor, segundo o professor Jacques Vigneron, do Programa de Mestrado e Doutoramento em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), há mutações das formas tradicionais. Estes meios de comunicação híbridos permitem uma liberdade de ação que antes era impossível, e sendo assim temos formas diferentes (para não dizer novas) de interpretarmos, interagirmos com os outros e também de sentir.

Uma das maiores potencialidades da Internet é a capacidade de que cada indivíduo conectado a ela seja um transmissor de informação. Porém, isso acarreta em um grande problema: a qualidade e confiabilidade da informação nela disponibilizada.

Segundo John Downing (2002), os críticos da Internet afirmam que a informação que circula pela rede é muitas vezes incontável, transitória e tendenciosa. Os websites podem apresentar conteúdos subjetivos e tendem a mudar de endereço ou desaparecer por instabilidade organizacional, falta de recursos ou mudanças nos créditos autorais. Mas essa crítica, em vez de construtiva, priva os leitores da Internet do exercício de poder, pois, em primeiro lugar, supõe que eles não exercem o juízo crítico ao dar credibilidade às fontes ou avaliar as situações de diferentes pontos de vista.

A Internet não é produto de um espírito empreendedor, mas da pesquisa acadêmica, financiada pelo Estado. A Internet, praticamente desde o começo, mostrou uma combinação de características singulares: ela é produto do setor público; sua concepção foi rejeitada pelo setor de telefonia; ela foi construída seguindo um único padrão; ela é e sempre foi propriedade pública; não possui um comando central e é, predominantemente, americana. Embora a World Wide Web (Web) tenha começado a operar totalmente somente no início dos anos 90, ela tem sido o mais importante veículo isolado a combinar as virtudes idiossincráticas da Internet num meio novo e poderoso de comunicação.

Diante da perspectiva de uma análise cultural da Internet, alguns teóricos [2] observam que ‘essa rede global’ não foi criada a partir de um tratado que a obrigava a resolver, em um passe de mágica, todos os problemas culturais e sociais do planeta. Se isso ocorre é devido a superestima e idealização de ‘olhares humanos’ perante o espaço. Se a angústia e o fascínio parecem andar de mãos dadas por um tortuoso iniciar de século quando nos percebemos cercados de tanta maquinaria que resolve o domínio humano (FISCHER 2002, p. 3), seria inicialmente relevante à reflexão desse ‘andar de mãos dadas’ reconhecermos dois fatos, os quais foram mencionados por Pierre Lévy, em seu livro “Cibercultura”:

Em primeiro lugar, que o crescimento do ciberespaço [3] resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano. (Lévy 1997, p. 11).

Se esta pesquisa propõe-se a notar a angústia e o fascínio, é de forma a reconhecer o indivíduo autônomo, como um indivíduo receptor, alguém capaz de dar sua opinião sobre um assunto, formular suas idéias e discordar das outras pessoas. Num processo de interatividade que em geral ressalta a participação ativa do beneficiário na troca de informação, o personagem/tema desta pesquisa é aquele que decodifica, interpreta, participa, mobiliza seu sistema nervoso de muitas maneiras, e sempre de forma diferente de seu vizinho.

Vale ainda ressaltar que, em essência, o enfoque que daremos à Internet nesta pesquisa será o de mídia radical descrito por Downing como aquela que:

consiste na participação das pessoas na criação de formas interativas de comunicação que atuam como força de compensação para o fluxo unilateral que é o próprio da mídia comercial (Downing 2002, p. 275).

Diante da idéia de que a informação e os indivíduos são inevitavelmente, e sempre, partes integrantes de ricas redes sociais, e diante do papel da linguagem no comportamento humano, proponho-me a estudar um exemplo, de especificidade singular, de um modo de expressão que coloca em perspectiva discussões importantes dentro do tema da recepção. Partindo do ponto de vista de que dentro dele há uma lacuna quanto à dimensão de sensibilidade, a problematização proposta nesta pesquisa visará mapear o processo de recepção nos Weblogs, uma espécie híbrida de diário pessoal/guia de sites.

Ao explorar a natureza complexa do processo de recepção, pretendo mapear a trilha investigativa fazendo referência à interpretação, sensibilidade e interação desse processo.

O princípio desta trilha investigativa está na configuração do cenário a ser estudado, os Weblogs, apresentado no primeiro capítulo. O olhar que pretendo desenvolver deste objeto (do ponto de vista da recepção) será realizado a partir de um exercício/ensaio descritivo de cinco Weblogs, que serão apresentados e justificados no segundo capítulo. Neste ponto, também indicarei algumas tomadas de decisão do recorte dado ao objeto (quais Weblogs/autores foram estudados) e proponho-me apresentar ao leitor questões referentes à operacionalização da pesquisa, ou seja, de que forma obtive os dados concernentes à investigação proposta.

Mapeadas algumas questões referentes ao objeto Weblogs não apenas no âmbito de sua definição mas delineando alguns de seus pontos principais como autoria, estética, estruturação, atualização e formas de conteúdo;  somados à introdução dos cinco ‘personagens/autores’ do estudo, passaremos a apresentar o objeto em diálogo com algumas fontes teóricas em torno das questões do processo de recepção: interpretação, sensibilidade, interação.

Não prevendo um fim a este diálogo teórico, mas buscando aumentá-lo, partirei para o capítulo quatro com o objetivo de resgatar a atenção à problemática da recepção, compreendendo-a como uma questão empírica e justificando as escolhas metodológicas desta pesquisa. O que proponho no capítulo seguinte é tecer/transcrever entrevistas qualitativas de usuários/leitores dos Weblogs apresentados no primeiro momento do trabalho.

Apesar de todas as previsões de que a revolução da qual a Internet faz parte nos propiciaria um local isento de pessoas, repleto de máquinas e Dilberts [4] , o último capítulo desta pesquisa buscará revelar que as interações humanas, as conversas humanas e o significado humano ainda formam o coração pulsante da Web no momento em que proponho-me ao exercício de interpretação à luz dos elementos teóricos.

O último capítulo desta pesquisa é o da hipótese norteadora de assinalar que a recepção ocorre em um contexto social muitas vezes omitido, quando muito esquecido nos estudos sobre a Internet; que elementos como a prática e o discernimento humano desempenham um papel muito importante no estudo da recepção. Trata-se de uma busca ricamente humanística pelo contexto, interessada nas questões de interpretar, sentir e interagir no universo da Web, cenário onde os Weblogs estão inseridos.


1      blah blah blah blogs

We didn’t start the weblogs
No, we didn’t incite ‘em
But we’re trying to write ‘em

Nikolai Nolan sob Billy Joel na música
“We didn’t start the fire”

 

Chuck Olsen [5] é um americano residente de Twin Cities no estado de Minnesota. Chuck trabalha como produtor em Web para o canal de televisão “Twin Cities Public Television” e atualmente realiza um documentário independente sobre Blogs – “Blogumentary A Documentary About Blogs [6] ”.  Em 20 de maio de 2003, Chuck disponibilizou na Web, a primeira versão do trailer [7] de sua produção que pretende lançar no segundo semestre desse ano. Em sete minutos de vídeo, mostrando pequenos trechos ilustrativos sobre o será apresentado no material final, Chuck exibe algumas respostas capturadas à enquete feita por ele nas ruas de Nova Iorque. A pergunta era: “você sabe o que é um blog?”

1.1    Da etimologia à caracterização 

Há um debate constante quanto a definição de Weblogs. Tal como sociedade de bandos, cuja cultura não pode ser tocada porque não pode ser encontrada, a liberdade é intensificada para os que participam de tal projeto. André Lemos, em seu artigo “A arte da vida: diários pessoais e webcams na internet” sugere:

Ciberdiários, Webdiários ou Weblogs são práticas contemporâneas de escrita online, onde usuários comuns escrevem sobre suas vidas privadas, sobre suas áreas de interesse pessoais ou sobre outros aspectos da cultura contemporânea (Lemos 2002, p.1).

Ao sugerir isso, Lemos não apenas generaliza o conceito como também falha como pesquisador ao que observamos sua concepção apressada de igualar diários online e Weblogs. Assumir que o gênero com o qual se identificam se torna a melhor definição aplicada só ocorre diante da hipótese de que não existem dados que o contradigam. Essa empolgação com as novas possibilidades de representação socialmente responsável é o que faz com que a produção preceda a reflexão crítica sobre o objeto. Sobre essa questão Fischer afirma:

É preciso explicar a produção comunicacional presente na web denominada weblogs ou simplesmente blogs, cujo surgimento inicialmente estava atrelado a uma especificidade de construção, mas que com o crescimento de sua prática logo passou a receber apropriações outras que determinaram que sua estrutura – baseada em atualizações constantes – passasse a ser interpretada como uma forma de diarismo online. (Fischer 2002, p.71)

 

Segundo Blood (2002), o termo Weblog foi batizado por Jorn Barger [8] em dezembro de 1997, como resultado de um jargão derivado da união das palavras inglesas Web (rede) e log (registro).

Um weblog (por vezes chamado de blog ou página de notícias ou filtro) é uma página da internet na qual um weblogger (por vezes chamado de blogger, ou um pré-navegador [9] ), ‘registra’ [10] todas as outras páginas que ele acha interessante. (Barger 1999)

Inicialmente, de acordo com Blood, “Os primeiros weblogs eram sites com vários links [11] da Web. Cada um deles era uma mistura de links de proporção única, comentários, pensamentos pessoais e ensaios” (BLOOD, idem, p. 7). Eram ‘diários de navegação [12] ’ dispostos nesse estranho sistema em que a informação mais recente aparece antes (os weblogs lêem-se em regressão temporal). Ao fim do dia (ou mesmo durante o dia), os autores colocavam no seu weblog uma lista dos sites que visitaram durante esse período. Com a evolução, muitos autores começaram a colocar comentários aos ‘links’, passaram a destacar os artigos que podiam ser facilmente passados sem notar pelo usuário típico da Web, artigos de fontes menos conhecidas, além de terem passado a fornecer fatos adicionais, observações alternativas e pessoais.

Blood afirma que os primeiros weblogs eram “entusiastas da web” que geralmente apresentavam links para “cantos desconhecidos da web e notícias que valiam a pena serem mencionadas” (idem, p.9). Estes ‘entusiastas’ eram usuários da Internet que detinham o conhecimento de programação ou manuseavam bem HTML [13] (o que requeria conhecimentos técnicos ao nível da criação de websites, ou programação através de CMS [14] ).

Eram editores [15] na medida em que escolhiam sites e links que desejavam recomendar ou destacar através de suas próprias páginas, os weblogs. [...] Os editores dos weblogs participam na disseminação e na interpretação da notícia que nos alimenta a cada dia (p. 9)

Conforme o processo continuou e a quantidade de weblogs aumentou, a prática prerrogativa potencializou o gênero/categoria como forma de definição dos Weblogs. Segundo Blood isso passou a ocorrer a partir de julho de 1999 quando foram lançados vários serviços gratuitos que auxiliavam a qualquer um, até mesmo aqueles sem conhecimentos respeitantes à elaboração de websites, iniciar o seu próprio weblog. A mais importante ferramenta lançada, o Blogger [16] , é descrita por Blood como a fagulha para o que acabou vindo a se chamar blog , um “diário de formato curto”.

É esta relação do livre-formulário através de uma interface funcional combinada com a facilidade de utilização absoluta que se tem, que na minha opinião mais do que qualquer outro fator, estimulou a mudança do weblog de estilo ‘filtragem [17] ’ para o blog de estilo ‘diário’ (p. 10)

Ozawa, um dos fundadores do site Diarist.net [18] , concorda com Blood a respeito do que ele considera automação dos processos técnicos de produção de um weblog como razão central para a explosão de criação de weblogs na rede:

Não deveria ser surpresa, portanto, que as pessoas começassem a gostar de falar o que pensam e passassem a abandonar a função original dos weblogs, mas tirando vantagem das ferramentas dos weblogs como um fácil caminho para publicação online. (Ozawa 2001)

Simplificando a capacidade de publicar na Rede, os Weblogs tornaram-se verdadeiros espaços de exercício da Narrativa Comum [19] . De acordo com Hourihan (2003), co-fundadora da empresa Pyra [20] , “é inviável definir os weblogs baseados apenas na observação, e não na experiência.” A observação de Hourihan torna-se relevante ao pensarmos em como o ser humano é uma fonte inesgotável de sentimentos e impressões, que, ao jorrar, transforma mentes e corações, influenciando diretamente na transformação do mundo à sua volta tanto quanto em sua própria transformação. Exemplo disso é o relato de Blood quando de sua experiência perceptiva publicando seu weblog “Rebecca’s Pocket” (O bolso de Rebecca):

Logo após produzir “Rebecca’s Pocket” eu notei dois efeitos que não esperava. [...] descobri meus próprios interesses. Eu pensei que soubesse quais eram, mas depois de linkar informações por alguns meses eu pude ver que estava muito mais interessada em ciência, arqueologia e questões de injustiça do que eu percebera antes. [...] comecei a valorizar mais meus pontos de vista. [...] comecei a sentir que minha perspectiva era única e importante. (Blood 2002, p. 12)

Provavelmente desde que o ser humano é o que é, vivemos em grupos onde cotidianamente ocorre o debate e a expressão do que se pensa e o que se sente. Somos movidos por isso, por esse trânsito de informações chamado cultura. Num mundo onde os meios de comunicação de massa ainda são a forma de falar mais difundida, mas onde também uma nova maneira emerge, é interessante observar algumas coisas esquecidas (ou ignoradas) sobre esta nossa expressão cotidiana que são perceptivas com os Weblogs, uma espécie de super-dinâmica comunitária que se estabelece e evolui gradativamente, sem conhecer centralização intrínseca, e tornando possível a interconexão barata entre indivíduos e entre o ‘self’, sem intermediários. Um lugar onde o que se diz, está instantaneamente disponível para ser ouvido pelo mundo inteiro.

Se olharmos com mais atenção ao conteúdo dos Weblogs, poderemos observar que o que todos têm em comum é o formato. O modo como são escritos ou como dão-se os discursos neles encontrados é uma projeção de idéias individuais e livres.

Ozawa (2002) afirma que diários online e weblogs assemelham-se somente aos olhos do usuário/leitor, que no máximo perceberia duas diferenças básicas: “novo no topo [21] ” e “entradas mais curtas”. Em suas considerações a este respeito, Ozawa observa a concepção/hipótese do diarista online e sua produção enquanto espaço conceitual demarcado em relação ao espaço dos weblogs:

[...] um weblog tradicional é focado fora do autor e de seu site. Um diário online [...] olha para dentro – as experiências, pensamentos e opiniões do autor. [...] Uma pessoa que mantém um diário ou journal online está registrando sua vida e não a web, não importa como eles expressem suas palavras. (Ozawa, idem)

O conteúdo dos Weblogs caracteriza o gênero/categoria a qual pertencem. Observar o gênero/categoria de modo a defini-los contradiz a reflexão crítica e mais detalhada sobre o objeto. A problemática desta pesquisa não se propõe a estudar o debate entre gêneros como forma de definição, mas é importante para esta pesquisa ressaltar que a fórmula original dos Weblogs eram “links com comentários, freqüentemente atualizados.” Com a disseminação da prática e a apropriação das ferramentas pelos usuários, permitindo maior facilidade em termos de publicação de páginas na web conforme já mencionado, Blood afirma que “atualmente os weblogs estão definidos pelo formato: uma página regularmente atualizada com entradas datadas, sendo as mais novas estabelecidas no topo” (p. 9). E para finalizar a reflexão sobre a demarcação feita por Ozawa, se consultarmos Webopedia [22] sobre Blogs, encontraremos a observação de que “blogs freqüentemente refletem a personalidade do autor”.

Nossa questão agora será recuperar a observação de que o que todos os Weblogs têm em comum é o formato.  Ao fazermos isso propomos uma descrição mais ilustrativa de forma a detectar parte de um vocabulário construído neste universo (dos Weblogs). Será a partir dessa observação que esperamos possibilitar ao leitor um entendimento/compreensão sobre a linguagem que será de extrema importância ao que avançamos nesta pesquisa.



















A figura acima representa a página que um usuário geralmente acessa para a atualização de seu Weblog. Nela podemos observar como um post se constrói. Em algumas ferramentas o usuário tem a opção de inserir um título ao seu post, o que seria representado na maioria das vezes por uma frase-síntese sobre aquilo que será narrado pelo usuário logo em seguida.




















Assim que o usuário clica na opção ‘salvar’ ou ‘publicar’ (dependendo da ferramenta utilizada), seu post poderá ser visualizado na URL [23] de seu Weblog, como ilustra a figura anterior.

Hourihan afirma que o post (cada entrada) de um weblog pode ser identificado de acordo com as seguintes características: “cabeçalho datado, hora da publicação e link permanente” (HORIHAN, idem). O Weblog segue o padrão de destacar o último post publicado, com seu cabeçalho datado acima. O post contém comentários seguidos de links (a inserção de links aos comentários é opcional), a hora da publicação, um link permanente geralmente inserido sob o horário em que a publicação foi feita e a lista dos arquivos de post anteriores. Por fim vale ressaltar dentro desta questão  do formato, as observações de Hourihan:

O formato do weblog fornece uma estrutura para nossas experiências ao usufruí-lo, permitindo as interações sociais que nós associamos com blogging [24] . Sem ele, não há nenhuma diferença entre a super produção da Web. Os posts [25] dos blogs são curtos, informais, algumas vezes controvertidos e algumas vezes profundamente pessoais não importando qual seja o assunto em questão [...] como bloggers, nós atualizamos nossos sites freqüentemente inserindo o que importa para cada um de nós. Dependendo do blogger, o conteúdo varia. Mas porque é um weblog, formatado cronologicamente invertido, e com a data estampada, um leitor pode esperar que ele seja atualizado regularmente. (Hourihan 2003)

 


2      quem mora na blogosfera [26]

A human being is a part of a whole,
called by us universe

Albert Einstein

 

Quando Chuck Olsen disponibilizou a primeira versão para o Blogumentary [27] na Web, alguns dos entrevistados para a produção publicaram, em seus respectivos Weblogs, comentários pertinentes à prévia em vídeo assistida. Um deles foi Jeff Jarvis [28] . Jornalista [29] e presidente do Advance.net [30] , Jeff descreveu sua entrevista como ‘cheia de tolices’ comparada a dos demais. Ele foi entrevistado por Chuck em seu escritório, em 30 de abril de 2003. Dentro de um cenário típico de sua profissão, cercado de pilhas de papéis, estantes com livros e um laptop ligado sobre a mesa, Jeff - ininterrupto – descreveu as fases que, segundo ele, os weblogs passaram até o momento atual. Sobre a primeira [31] , Jeff disse: “foi a da tecnologia, onde as pessoas que inventaram este modelo, se inspiraram e deram-lhe vida.”

Esta vida mencionada por Jeff não tem limite de idade, fronteira, língua ou sexo. Quem dá a este modelo vida não é apenas o autor/usuário de um weblog mas também a Web que incondicionalmente a alimenta. Quando Chuck, nas ruas de Nova Iorque, realizou aleatoriamente a enquete questionando o que eram os Weblogs, Tom Richards (posteriormente reconhecido como vocalista da banda Waking Hours) respondeu: “um lugar onde você vai/acessa, onde você escreve seus comentários e insere toda a sua vida lá - pra todo mundo que quiser ver.”

2.1    Cinco weblogs em estudo

Diante do conhecimento de que Internet foi criação de um experimento acadêmico, é sempre muito interessante observar que conforme o processo de evolução da rede ‘global’ vai-se dando, muitas referências bibliográficas acadêmicas deixam de ser discussões relevantes passando a ser observações de estudos de campo sem profunda experiência. Quando Hourihan afirma que “é inviável definir os weblogs baseados apenas na observação, e não na experiência”, esta afirmação deveria valer não apenas à busca de definições, mas sim para qualquer estudo pertinente à Internet. Silva [32] , em seu ensaio “Perspectivas Weberianas da Sociedade Rede” afirmou:

Os criadores da Internet pensavam sinceramente estar a proporcionar à sociedade um instrumento eficaz de sociabilidade e promoção pessoal, mas nunca puderam prever que um tal sistema se transformasse num campo de batalha entre poderosos interesses, muitos deles ilegítimos. (Silva 2002)

A afirmação de Silva pressupõe o seu conhecimento do ‘pensar’ dos acadêmicos que criaram a Internet, algo que deveria ser questionado quanto a origem. Não obstante o que tantos outros autores fizeram ou afirmaram é relevante defender a hipótese da real história da Internet que ainda está sendo contada. Diante do estudo que este trabalho se propõe, consistindo na sensibilidade encontrada na participação das pessoas na criação de formas interativas de comunicação que atuam como força de compensação para o fluxo unilateral próprio da mídia comercial, é necessário reafirmar que este trabalho defende a idéia de que a comunicação que se processa na Internet é de natureza parcialmente distinta da comunicação de massa. Quando Silva sugere um ‘campo de batalha’, é preciso revisão de modelos e teorias.

Vários autores discutem a natureza ímpar da comunicação na internet (Rheingold 1996, Outing 1998, Parente 1999 e Johnson 2001). Para eles, os recursos de linguagem oferecidos pela rede alteram nossa forma de comunicar e interagir culturalmente.

Segundo Alsina (1989), “inovações tecnológicas desencadeiam novas mensagens, novos usos, novos efeitos”. Idéia similar é defendida por Lévy:

Mídias híbridas e mutantes proliferam sob o efeito da virtualização da informação, do progresso das interfaces (...). Cada dispositivo de comunicação diz respeito a uma análise pormenorizada, que por sua vez remete à necessidade de uma teoria da comunicação renovada, ou ao menos de uma cartografia fina dos modos de comunicação. (Lévy 1997, p. 82)

Na mesma linha de raciocínio dos autores mencionados, faz-se necessário observar que boa parte das informações que atualmente se processa na Internet ainda apresenta referência nas reflexões teóricas características da comunicação de massa, mas já é possível notar algumas especificidades nesse processo, como sinaliza a forma comunicativa irreverente observada por exemplo no cenário estudado neste trabalho, os Weblogs.

A diferença inovadora dos estudos sobre comunicação (principalmente, sobre a internet) consiste na ultrapassagem dos esquemas funcionalistas que explicavam o processo comunicacional centrado no autor, no produtor e nos meios de comunicação, enquanto agentes de controle e dominação sobre os receptores. Hoje, encontra-se em curso uma compreensão crítica da comunicação, permitindo-nos perceber que as formas de controle e dominação persistem, e até se tornaram mais sofisticadas; entretanto as teorias da recepção demonstram que as informações geradas pelas mídias são sempre negociadas, mediadas e adequadas pelos indivíduos de acordo com os seus modos de vida. Os estudos de recepção, voltando-se para o leitor ou consumidor, circunscreveram um novo círculo para compreendermos o usuário enquanto elemento ativo no processo da comunicação. Neste sentido, nesta parte do trabalho iremos apresentar os autores/weblogs que no desenvolvimento desta pesquisa redefinirão o papel de agentes de controle e dominação sobre os receptores e consequentemente, problematizarão o processo de recepção nos weblogs.

Ao longo de várias décadas, sociólogos e antropólogos, a partir de trabalhos de campo em diferentes sociedades, inovaram em métodos e técnicas hoje tratados sob o nome genérico de fieldwork ou enquête de terrain (PLATT 1998), que incluem desde a observação pelo olhar e pela escuta até a observação participante, a entrevista diretiva e semidiretiva, as histórias de vida etc. A passagem de um ‘campo’ geograficamente distante (caso da antropologia clássica) para um ‘campo’ próximo do pesquisador (antropologia e sociologia na sociedade ou cidade do pesquisador) não simplificou, mas sim complexificou os problemas e dilemas enfrentados nos estudos empíricos. Questões de rigor e de controle metodológico  têm sido, na verdade,  uma preocupação constante de inúmeros autores que não descartam a própria atividade do pesquisador, seu papel enquanto tal e a interação pesquisador/pesquisado como objetos de análise em uma pesquisa.

A metodologia aplicada para a seleção dos Weblogs (autores) nesta pesquisa parte de um experimento [33] adicionado de características metodológicas aplicadas por Miller [34] (1995) quando este estudou “A Apresentação do Self na Vida Eletrônica: Goffman on the Internet” [35] . Como posteriormente apresentaremos mais a fundo o trabalho da pesquisa empírica qualitativa a que este trabalho se propôs, é preciso salientar que antes de mais nada tivemos de buscar um grupo de Weblogs específico que nos permitiria caracterizar de melhor forma o processo de recepção.

No contexto da área de pesquisa de Miller, ele filtrou o ‘self’ estudado a partir de três caracteres: status, autoridade e credibilidade. Diante disso, a busca seletiva através do grupo de Weblogs que serão apresentados adiante primeiramente passou por esta mesma ‘filtragem’ de Miller. Mas além disso, a pesquisa qualitativa é notavelmente mais demorada e exige do investigador uma permanência maior na área de observação para que se estabeleçam relações de confiabilidade entre o objeto de estudo e o sujeito da pesquisa [36] .

Consequentemente, diante do atual cenário acadêmico, escasso de pesquisas empíricas no ambiente dos Weblogs, foi preciso buscar um melhor entendimento dos códigos diferenciados existentes em qualquer processo de pesquisa onde estão envolvidas pessoas das mais diferentes categorias sociais, intelectuais e culturais. É principalmente por esses motivos que a seleção dos weblogs em pesquisa está associada ao contexto sociocultural americano que além de ter sido o espaço fundador dos weblogs é também aquele que nos disponibiliza um maior número de webloggers tanto quanto com um maior índice de leitores.

A questão da seleção também levou em conta a estética, a freqüência de atualização e citações, que no âmbito dos weblogs seriam referências (links) em outras páginas da web e da mesma forma que em outros weblogs. O conteúdo desses weblogs não foi movido ou buscado através de categorias ou tópicos específicos visto que os filtros utilizados e apropriados de Miller foram os primeiros aplicados neste processo de seleção. O leitor porém, notará que os weblogs [37] apresentados pertencem à faixa etária adulta e que são em maior número homens que mulheres em razão da filtragem inicial dos caracteres status, autoridade e credibilidade.

A apresentação de cada weblog/autor seguirá com a exposição ilustrativa da URL onde estes weblogs são encontrados, seguindo de uma breve descrição dos autores adicionado a exposição ilustrativa da URL onde um usuário comum da Web encontraria informações referentes a estes weblogs/autores.

 

Dave Winer: autor do www.scripting.com (desde 1997)
















Dave Winer (48 anos em 2003) é americano residente do estado de Massachusetts (Boston). Dave atualmente é Diretor Executivo do UserLand Software [38] , empresa da área de Internet localizada em Millbrae, na Califórnia. UserLand desenvolve ferramentas para atualização de weblogs através da web (produto Manila) e do desktop [39] (produto Radio UserLand). Dave Winer, como programador, foi co-desenvolvedor (co-developer) dos produtos Frontier, Manila e do Radio UserLand. Nos anos 90, Dave trabalhou como editor-colaborador da revista Wired e, em fevereiro de 2003, Dave foi contratado pela Harvard Law School
[40] afim de iniciar dentro da Universidade um projeto educativo de conjunção dos acadêmicos com os weblogs.

Considerado um dos pioneiros em ‘blogging’, o Scripting News de Dave (como é conhecido o seu weblog) representa sua habilidade e conhecimento perante assuntos de tecnologia. O Scripting News é conhecido como o weblog ativo mais duradouro da Web. A ilustração abaixo refere-se à página com suas informações (bio).

 

 















Anil Dash: autor do www.dashes.com/anil (desde 1999)
















Em primeiro de maio de 2003, no interior de um Starbucks [41] em Nova Yorque, Chuck Olsen entrevistou Anil Dash. Chuck passou toda a entrevista afastado de Anil por estar manuseando a câmera, enquanto que Anil dividiu uma mesa com uma total desconhecida que em determinado momento interrompeu a entrevista perguntando sobre o que eles estavam falando. Chuck, relatando este acontecimento em seu site [42] dias depois, contou que ao invés de prosseguir com a entrevista normal, sugeriu a Anil que explicasse à companheira de mesa, posteriormente identificada como a atriz Katherine Narduccia do seriado americano Sopranos [43] ,  o que era Blog. Anil respondeu: “a palavra a que ele se refere é blogs que na verdade originou-se da palavra Weblogs que eram registros na web onde usuários escreviam o que pensavam, sites que visitavam e o que queriam. Por serem os primeiros Weblogs produto de geeks [44] e programadores, eles quiseram abreviar o nome. Então começaram a chamar de
Blogs.”

Anil Dash é americano (filho de imigrantes indianos) residente da cidade de Nova Iorque. Conhecido como tecnologista na área de Internet, ele foi consultor por sete anos e atualmente é Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios Vice-presidente de Desenvolvimento do TypePad [45] , e membro do comitê de direção do Web Standards Project [46] . Anil conta com vários materiais citados, publicados e comentados em diversas mídias [47] além de integrar e participar de seminários/palestras em eventos e conferências da área de tecnologia. Em seu weblog Anil escreve sobre o movimentos dos blogs, tecnologia, curiosidades e comentários aleatórios sobre arte, política, cultura e sobre a cidade onde vive. Seu weblog já foi indicado como ‘o melhor’ pela MSNBC [48] .

A imagem a seguir representa a página editada por Anil em seu website com informações pessoais e ademais links contendo informações sobre ele.


















Doc Searls: autor do doc.weblogs.com (desde 2001)

Americano e residente do estado da Califórnia,  a carreira de Doc Searls teve início em 1978 quando foi co-fundador da Hodskins Simone and Searls, agência de propaganda e relações públicas no Vale do Silício (Califórnia). A HS&S foi vendida em meados de 1998 quando a posição de Consultor de Mercado exercida por ele passou a ser através da Searls Group [49] . Doc Searls é editor-senior da revista especializada Linux Journal [50] , e co-autor do livro “The Cluetrain Manifesto: The End of Business as Usual” (bestseller pelo New York Times, Wall Street Journal, Business Week, Borders Books e Amazon.com). Doc é freqüentemente orador e palestrante em diversas conferências [51] , além de como escritor, ter artigos e ensaios publicados em jornais e revistas americanas como Wired, The Sun e PC Magazine.

J.D. Lasica, jornalista e colunista da publicação online da Annenberg School for Communication nos Estados Unidos, acredita que Doc Searls é "um dos mais profundos pensadores sobre o movimento ‘blog’”. Seu weblog recebe mais de 60.000 acessos por mês. A figura abaixo representa seu weblog e a seguinte, sua página com informações.




























Matthew Haughey: autor do a.wholelottanothing.org (desde 2000)

Matt Haughey é americano residente do estado da Califórnia. Mestre em Ciências Ambientais pela UC Riverside, ele trabalha com webdesign desde 1995. Seus trabalhos mais reconhecidos nesta área são para o projeto Creative Commons [52] e para a empresa Pyra do produto/ferramenta Blogger. Matt foi co-autor e contribuidor nos livros “We Blog”, “Usability: The Site Speaks for Itself”, “We've Got Blog: How Weblogs Are Changing Our Culture” e “Design for Community: The Art of Connecting Real People in Virtual”. Seu projeto pessoal, MetaFilter.com [53] , é um weblog comunitário com mais de 17.000 membros/autores e que recebe mais de um milhão de acessos por mês.

Em seu weblog (a.wholelottanothing.org) estão explícitas as suas principais opiniões acerca de assuntos variados como tecnologia, cultura, Internet, webdesign e o movimento blog. Matt também pode ser visto no Blogmentary realizado por Chuck bem como no vídeo do trailer que estamos anexando a esta pesquisa. A imagem abaixo representa seu weblog.
















Matt também possui o domínio Haughey.com [54] onde encontramos seu currículo mais detalhado, websites que mantém ou está desenvolvendo. As imagens a seguir representam sua página de informações a partir de seu weblog e a página de seu resumè em seu domínio.






























Mena Trott: autora do www.dollarshort.org (desde 2001)
















Mena Trott é americana (26 anos em 2003) residente na cidade de São Francisco na Califórnia. Casada com Ben Trott (quatro anos em 2003), ambos são os criadores da ferramenta Movable Type que posteriormente ao sucesso adquirido entre os usuários, se transformou num dos produtos oferecidos pela empresa que fundaram, a Six Apart. Mena dessa forma é ‘chefe’ de Anil Dash apresentado anteriormente nesta pesquisa. Ela é freqüentemente ativa em eventos na área dos Weblogs bem como em conferências [55] sobre tecnologia, mídia e internet, quando sempre acompanha ou está acompanhada de seu marido, Ben. Seu Weblog é uma narrativa mesclada de observações descritivas de sua vida profissional tanto quando sobre assuntos referentes à Internet, cultura, vida pessoal, produtos tecnológicos e aleatórios comentários sobre o que ela acha pertinente. Mena em seu website não disponibiliza uma página com informações pessoais. Geralmente na Web, quem a conhece, a conhece primeiramente através de seu trabalho representado pela imagem abaixo. Ilustração de uma das páginas da empresa Six Apart.






3     
uma biblioteca à blogosfera

As nossas idéias sobre as máquinas, as páginas e os posts precisam levar em conta que ‘there is a bigger picture’. Aí sim, as máquinas, páginas e os posts readquirem sentido.

Gustavo Fischer

 

Dois dias depois de ter recebido, via email, o link para o trailer do Blogumentary de Chuck Olsen, Carolina d´Avila, publicitária brasileira residente da cidade de Porto Alegre, me encontrou para um café. Descrevendo sua tentativa de assistir todo o vídeo em seu computador na agência onde trabalha, ela comentava sorrindo sobre as respostas sem nexo à enquete de Chuck nas ruas de Nova Iorque. Ela perguntou “tu achas que nós somos uma minoria?” – referindo-se aos bloggers como apenas uma parcela dos usuários de Internet. Eu respondi: “Sim, nós somos um número pequeno”.

O número de weblogs na rede é desconhecido. Em 2002, 41 mil novos blogs foram criados a cada mês segundo Tiffany Shlain, criadora e diretora do prestigioso 'Webby Award', o ‘Oscar’ da Internet. Evan Williams, criador do Blogger, divulgou que em janeiro de 2002 o número de weblogs ativados por seu sistema, já ultrapassava a casa dos 500 mil. Mas a verdade é que com a quantidade de ferramentas disponíveis para a criação de um weblog na rede, um recenseamento só seria possível e viável caso todos os usuário/autores participassem.

Quão não foi a surpresa de Chuck Olsen ao ouvir nas ruas de Nova Iorque as respostas de Seth Appel à sua enquete? Seth é aquele rapaz careca, extrovertido e insolente, que aparece no trailer do Blogumentary dizendo que um “blog é um weblog online.” Quando Chuck perguntou a ele porque ele também mantinha um blog [56] , Seth respondeu: “porque eu acredito que tenho opiniões únicas sobre questões sócio-econômicas e eu sinto uma necessidade muito grande em dividir isso com a mídia.”  

3.1    Em busca da reflexão teórica

A área de comunicação convive permanentemente com dificuldade de estabelecer o seu objeto de estudo. Segundo Toschi, as pesquisas eram:

ora centradas nos meios, na cultura de massa, na propaganda, na publicidade, nos efeitos, na forma como as mídias constróem a realidade social, ora investigavam a comunicação, isto é, os processos comunicativos. (Toschi 1998, p. 5)

A dificuldade existe pela própria complexidade do conceito comunicação na sua etimologia e semântica que abriga significados diferentes e/ou divergentes. O termo é usado para indicar tanto a disciplina como seu objeto de estudo e essa característica pode acarretar imprecisões e equívocos (LOPES 1990). Como vertente dos estudos marxistas no campo da educação, a perspectiva dos estudos culturais, apoiada no binômio cultura hegemônica/cultura subalterna dos anos 80, provoca o delineamento de outra importante linha de pesquisa em Comunicação que são os estudos da recepção.

Barbero destaca-se como importante teórico da temática da cultura popular e começa a esboçar uma "complexa e multifacetada" teoria da recepção que desloca os eixos básicos da reflexão dos meios às mediações. A comunicação não mais pensada como meios, tecnologias, ou a disciplinas a que se subordinava, como a psicologia e a cibernética, mas como cultura. Apesar de Barbero analisar a cultura latino-americana podemos nos valer de suas considerações ao que ele vê a cultura sendo redefinida valendo-se de sua natureza comunicativa, ressaltando seu caráter de processo produtor de significações. Para ele, o receptor não é visto mais como simples decodificador do que o emissor depositou na mensagem, é também um produtor de sentido.

Barbero compreende a recepção não como uma etapa do processo de comunicação, mas como um lugar novo, a cultura, em que o sujeito é o ator social, produtor de sentidos. Para entender a recepção como lugar é preciso repensar o processo inteiro de comunicação em cibercultura, ciberespaço. O processo de comunicação é entendido como não linear e nem unívoco e, como tal, ocorre em várias direções, sofrendo intervenção do contexto cultural, social, político e histórico de cada usuário/receptor.

Ao focalizar nossa análise nos usuários, apontando para sua capacidade de desviar, de contornar o estabelecido remetemo-nos a um conjunto de espertezas sutis e criações anônimas através das quais o homem comum se move no espaço apropriado pelo poder, invertendo códigos e objetos, usando-os a seu modo. Queremos chamar à atenção para o fato de que a vida cotidiana  não se reduz à repetição e reprodução, mas constitui espaço múltiplo e diversificado. Isso nos possibilitaria perceber microdiferenças onde outros só percebem uniformidade e disciplina, sugerindo novas possibilidades de investigação do relacionamento dos usuários com a tecnologia para muito além do consumo receptáculo, capaz de encontrar criatividade somente entre os produtores. O que propomos é um estudo sobre como as pessoas  utilizam a cultura dos Weblogs, como a experimentam. E, ainda, de que maneira  os Weblogs são utilizados de maneiras diferentes por diferentes indivíduos .

Durante muito tempo, os meios de comunicação foram analisados como todo-poderosos. Seriam bons ou maus, dependendo apenas de quem os detivesse, de quem os controlasse.

Uma  concepção teológica do poder – uma vez que este era considerado onipotente e onipresente- levou à crença de que bastava analisar os objetivos econômicos e ideológicos dos meios massivos para se descobrirem as necessidades que provocavam e como submetiam os consumidores. (Barbero 1995, p. 279)

 Atribuindo todo o protagonismo ao campo da produção, esse modo de interpretação do processo comunicacional exclui a chance de se estudar a recepção como um lugar que é também lugar de partida, no qual o sentido é elaborado e produzido.

Poderíamos supor que é a partir desse ponto que reside a grande virada dos estudos da recepção: um deslocamento de um modo investigativo centrado na produção, no qual a recepção é concebida como um ponto de chegada daquilo que já estava  concluído, para um outro, no qual se busca entender como as apropriações, as articulações e as negociações se verificam no processo receptivo.

Essa nossa maneira de conceber o  processo de comunicação, na qual admitimos o papel efetivo do receptor, é anunciadora de um novo paradigma, cuja proposta não é substituir um campo de estudo, ‘o da produção’, por outro, ‘o da recepção’, ou mesmo subestimar os saberes dos produtores.  O que nos propomos é enfocar a busca da interatividade e o encontro entre esse dois campos, em que se entende a recepção, no dizer de Barbero (1995), como “processo de negociação de sentido”.

Quando em maio de 2003, Rebecca Blood participou da primeira Conferência Européia sobre Weblogs, o Blogtalk [57] , suas primeiras observações referiam-se sobre as possibilidades inerentes nos Weblogs, não apenas no âmbito das tecnologias disponíveis a eles como também no público e nas conexões humanas que são criadas e fortalecidas através dos Weblogs.

Quando pensamos sobre isso, há dois fatores a se considerar sendo que o primeiro é a expressão pessoal. (...) Bloggers, se é que eles tem um mandato, são determinados a apresentar uma observação. Ninguém espera que eles sejam objetivos, ninguém espera que eles apresentem todas as posições de um assunto, e ninguém espera que eles sejam justos. (Blood 2003)

Diante disso poderíamos nos apropriar de determinadas considerações de Umberto Eco, apesar desta pesquisa não se propor a um estudo profundo voltado à semiótica da recepção.

O funcionamento de um texto (mesmo não verbal) explica-se levando em consideração, além ou em lugar do momento gerativo, o papel desempenhado pelos destinatário na sua compreensão, atualização, interpretação, bem como o modo com que o próprio texto prevê essa participação. (Eco 1990, p. 2)

Na perspectiva que adotamos neste trabalho, o receptor não é alguém abstrato ou isolado, mas  sujeito de cultura. Precisa ser estudado no contexto das diversas práticas culturais e sociais nas quais está enredado, através de múltiplas e intrincadas relações, inclusive com a mídia.

Escrevendo algumas linhas todos os dias, os autores dos weblogs começam a redefinir a mídia como um público, um esforço participativo. (Blood 2002, p.10)

Nossa questão pede uma abordagem alternativa para o estudo da “experiência da audiência” denominada de análise da recepção. Tal abordagem desenvolveu-se a partir da Teoria Crítica, da Semiologia e da Análise do Discurso e também de estudos etnográficos de usos da mídia [58] .

Nossa análise da recepção difere da abordagem de “usos e gratificações” que se interessa pelas “satisfações dos usuários” a partir da questão: o que as pessoas fazem da mídia? Nos afastamos das “teorias dos efeitos diretos” (hipótese behaviorista) e nos aprofundamos na noção de leitura negociada. Nela, o sentido e os efeitos nascem da interação entre os textos e os papéis assumidos pelas audiências [59] . Porém vale reformular a estrutura metafórica de audiência para leitores, uma vez que estudamos não a televisão e sim weblogs. Weblogs não têm audiência, e sim leitores.

Esta nova abordagem questiona que há algo na comunicação que não estava sendo considerado: o poder dos leitores/público ao dar significado às mensagens encontradas nos weblogs. Considera que o receptor interpreta as mensagens e assim, procura localizar a contribuição e a construção de significados dados pelo receptor na sua relação com a mídia, e até mesmo com a sua percepção de vida (tanto social quanto pessoal).

Os leitores dos weblogs clicam de um blog para o outro e analisam o ponto de vista de cada blogger numa conversa múltipla. E assim eles formulam suas próprias conclusões diante daquilo que lhes é importante. Lendo o ponto de vista de outras pessoas, eles irão questionar com prazer e avaliar o que tem sido dito. Ao fazer isso, os leitores possivelmente começam uma jornada na descoberta deles mesmos tanto quanto numa jornada de uma confiança intelectual em si mesmos. (Blood 2002, p.14)

De acordo com Jensen (1991, p.31), “a recepção das mídias é uma atitude integrada de grupos culturais e deve ser estudada no seu aspecto social e racional (argumentativo)” Trata-se de comunidades interpretativas, ou seja, de práticas comuns de usos da mídia. As comunidades interpretativas teriam critérios, regras e códigos de interpretação compartilhados, ou seja, um repertório similar que lhes permite atribuir significados semelhantes e pertencer à mesma ‘comunidade’. Assim, temos os grupos que lêem blogs sobre a guerra, que lêem blogs sobre música, que lêem blogs sobre tecnologia, que lêem blogs sobre culinária, etc.

É difícil delimitar a diferença entre as duas abordagens. Podemos observar o pensamento da abordagem de “usos e gratificações” no pensar de Umberto Eco, quando ele pensava em um leitor ideal. O receptor era imaginado, mas não se tinha um contato mais próximo com ele para verificar o uso que este fazia do produto. Atualmente com os Weblogs e seu ambiente comunitário, propõe-se uma abordagem que, como a proposta pela Análise da Recepção, está mais próxima do usuário/receptor. As novas tecnologias também são um dos fatores que contribuem para essa mudança porque trazem novas possibilidades de produção tornando-a mais diferenciada e mais próxima do usuário. O aumento da interatividade do usuário com o produto diminui a distância entre o emissor/autor e o receptor/leitor.

De acordo com os princípios básicos da Semiologia, qualquer mensagem tem sentido conotativo (metafórico ou figurado) e denotativo (referencial ou literal). O empurrão semiológico nos diz que o significado está associado a padrões, símbolos compartilhados em uma cultura. Assim, de acordo com esta concepção, o texto tem os significados encaixados nele. Em estudos semióticos é dada ênfase ao texto, assim como na visão da Iser, na qual se estuda a relação do leitor com a leitura do código, mas não o contexto do leitor e nem o contexto do texto (ISER, 1978). A nossa análise da recepção não descarta a semiologia no processo de comunicação, apenas não nos aprofundaremos nela.

Stuart Hall contrapôs-se a alguns elementos da abordagem dos “usos e gratificações” porque ela não considera a ideologia da comunicação (HALL 1980). Segundo ele, em primeiro lugar, os comunicadores escolhem codificar as mensagens com propósitos ideológicos e usam a mídia para isso. Em segundo, os receptores não são obrigados a aceitar a mensagem da forma como foi enviada. Eles podem resistir. A cultura complexa de um ambiente como os Weblogs abrange uma variedade de discursos e é impossível atingir a todos da mesma forma. São espaços únicos que apropriam-se da intertextualidade [60] . As estruturas de significados, ou melhor, o repertório de cada um, interfere na produção de significados/sentidos da mídia que seria os leitores. As pessoas ocupam posições e papéis sociais diferentes e podem perceber o mundo e as mensagens dos weblogs de acordo com a sua posição no contexto social. Admitir isso é dar voz ao receptor, aceitar que ele existe enquanto sujeito e não apenas fazendo parte de uma massa amorfa e passiva de leitores/espectadores. A nossa hipótese é considerar que há uma intenção do emissor na apropriação ideológica do símbolo e que a interpretação que o receptor faz inclui aceitar ou não a ideologia contida no símbolo.

O receptor é também um iniciador, quer no sentido de originar mensagens de retorno, quer no sentido de pôr em prática processos de interpretação com um certo grau de autonomia. O receptor age sobre a informação que está à sua disposição e utiliza-a. (McQuail apud Cogo 1998, p.15)

Ao buscarmos uma compreensão melhor deste sentido, deste processo de interpretação, melhor inserido em nosso ambiente de estudo, os Weblogs podemos resumir a partir de Valverde que:

O sentido é, antes, uma instituição, isto é, o resultado sempre provisório de um movimento instituinte que, sem se deter na fixidez, aparece, em cada momento, como referência instituída, sobre a qual agirá esse impulso de "deformação coerente" que caracteriza o movimento da expressão e projeta para além a seta da significação. [61]

É importante situar aqui as críticas inseridas aos trabalhos do canadense Marshall McLuhan, a quem Valverde apropria-se como referência quando estuda “Recepção e sensibilidade” (do qual trataremos mais a seguir).  McLuhan de início mostrava-se crítico em relação às tecnologias [62] . Para os mais céticos, McLuhan exagerava no fascínio pela ‘vida tecnológica’, mas era inegável a empatia que provocava sobre gerações mais jovens; mas a sua postura acrítica e conformista terminou servindo para enquadrá-lo no time dos ‘integrados’, conforme escreveu Umberto Eco (1973), empenhado na denúncia do discurso fragmentado do teórico. É válido lembrar que algumas das idéias de McLuhan nos têm sido úteis para repensarmos a mediação gerada pelos meios eletrônicas. É nisso que autores como Lemos e Valverde se inspiraram para construir suas teses sobre a performatividade das novas tecnologias, porque encontram em McLuhan ‘insights’ valiosos para as suas análises.

Perceber o  caráter performativo da mídia que cria os ambientes interativos descrita em McLuhan é o que impulsiona Valverde a utilizá-lo como referência bibliográfica em seu artigo “Recepção e sensibilidade”:

De um modo geral podemos dizer que a ênfase de suas colocações recai sobre o aspecto comportamental e não sobre o aspecto neurofisiológico. Em suas palavras, a ‘mensagem’ de qualquer meio ou tecnologia é “a mudança de escala, cadência ou padrão que esse meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas”, e é dessa forma que a introdução de um novo meio de comunicação reconfigura o meio ambiente. (Valverde 2001, p.95)

Valverde apropria-se das idéias de McLuhan ao construir seu pensamento sobre o estudo da recepção reconhecendo o receptor como elemento significativo do processo de comunicação a partir do que A.M, Mattelard chama de “uma nova sensibilidade”.

Nossa convicção é a de que o recorte do tema da recepção, como uma problemática autônoma, apontou a insuficiência das abordagens centradas numa idéia excessivamente intelectual de ‘leitura’ (ora compreendida como decodificação, ora como interpretação), para descrever o complexo movimento de acolhimento e assimilação especialmente das obras e dos discursos, mas também as disposições e dos acontecimentos. (p.87)

É por isso que Valverde resume as críticas aos modelos tradicionais afirmando:

Há um aspecto de adesão imediata na recepção que não se restringe à convicção intelectual ou à mera obediência dogmática. Esse aspecto, de ordem tímica, aproxima a temática da recepção daquela referida à experiência estética, especialmente no que diz respeito à mobilização das paixões, à sua dimensão retórica, uma vez que a recepção dos produtos culturais contemporâneos, indissociáveis dos novos meios de comunicação, supõe não apenas leitura, interpretação e crítica, mas igualmente, ou mesmo principalmente, envolvimento e fruição. (p. 87)

A postura do nosso trabalho perante à sensibilidade ou fruição de Valverde observa a possibilidade do indivíduo (leitor de um weblog) ao identificar, nos termos do seu interesse, o lugar, a intensidade e a direção das opções a seu redor associadas com a capacidade interpretativa e perceptiva pela qual nos é possível “perceber as relações de expressões que afetam os nossos sentidos”.

As idéias de McLuhan deslocam nossa atenção dos aspectos conscientes e normativos da cultura instituída para o plano inconsciente, no qual as oposições e contrastes entre elementos significantes têm ainda poder instituinte. Na sua perspectiva, a análise da ação dos meios sobre a sensibilidade enquanto tal é também um reconhecimento de que eles não atuam apenas segundo mecanismos estritamente intelectivos ou sensoriais, mas envolvem aspectos emocionais, que estão na base dos julgamentos de valor geralmente associados a uma determinada tradição. (p. 96)

No ambiente dos weblogs, a melhor forma de observar e detectar sinais sobre os novos modelos de interpretação e da sensibilidade que definem a amplitude de nossa pesquisa sobre o processo de recepção, é a realidade experimental que eles apresentam. Somente ao nos colocarmos associados aos processos envoltos deste ambiente é que poderemos reproduzir e formalizar o conhecimento científico aplicado a ele. Segundo Blood:

Bloggers se estabelecem ou se edificam em suas esquinas do ciberespaço e então prosseguem a formar conexões e relações de proximidade com outros que se localizam próximo a eles. Links são trocados. Conversas iniciadas. Amizades são formadas. A Web tem possibilitado conexão com outros que são como nós somos, pessoas que se interessam pelas mesmas coisas que nós, que trabalham com as mesmas coisas que trabalhamos, ou que simplesmente vêem ou entendem o mundo como nós entendemos. Isto é, sem dúvida nenhuma, uma das grandes surpresas e prazeres referentes aos weblogs àqueles que nunca tiveram muito tempo para estar online. Através dos weblogs firmamos nossas relações humanas. (Blood 2003)

 

 

 


4      os vizinhos da Blogosfera

No weblog stands alone, they are relative
 to each other and to the world.

Dave Winer

 

Para inserir aos anexos desta pesquisa o trailer do Blogumentary de Chuck Olsen, precisávamos de autorização. Em 27 de maio de 2003 enviei um email a Chuck, e no dia seguinte, lia-se em seu weblog:











Posteriormente [63] recebi um email de Chuck com links onde encontraria disponível partes do documentário ainda não editadas. Uma delas, de David Weinberger sob a linha de apoio ‘weblogs são conversações’, era a extensão do curto comentário de David à referência de sua participação no trailer do Blogumentary. Naquele momento David tentava descrever o que impulsionou o interesse da mídia de massa a reportar o movimento dos weblogs. Ele disse: “o que conduziu a excitação sobre os weblogs não foi porque agora haviam 300 mil ou meio milhão de pessoas escrevendo o que elas pensavam. O que realmente levou a excitação foi quando essas 300 mil pessoas começaram a ‘linkar [64] ’”.

4.1    O percurso da investigação empírica

As pesquisas sobre a relação das pessoas/usuários com a internet permitem uma diversidade muito grande de abordagens. Na grande maioria das vezes, e principalmente nas primeiras pesquisas deste âmbito, a aproximação era feita através de uma abordagem quantitativa [65] , buscando-se determinar a quantidade de horas que as pessoas/usuários dedicavam à internet, bem como quais os serviços de acesso mais utilizados e os sites que mais acessavam.

Segundo Costa, nos primórdios da sociologia, os cientistas pensavam que o envolvimento do cientista com o objeto de estudo poderia comprometer a validade do estudo científico:

O sociólogo buscava da melhor maneira possível manter-se isento de interesses e à certa distância psicológica e afetiva do objeto estudado, o que, em se tratando de vida social, era muito difícil. (Costa 1997, p. 210)

Esta observação de Costa funda as recorrentes críticas que as pesquisas qualitativas ainda evocam,  segundo as quais muitos cientistas sociais acusam o modelo qualitativo de não apresentar padrões de objetividade, rigor e controle científico, já que não possui testes adequados de validade e fidedignidade, assim como não produz generalizações que visem à construção de um conjunto de leis do comportamento humano. Entretanto, por ser a metodologia utilizada em determinada pesquisa aquela que ensina o pesquisador a ‘ver’ a realidade, isto é, a distinguir nela determinados acontecimentos e as relações existentes entre eles (COSTA 1997), reconhecemos o valor de tais pesquisas quantitativas mas é necessário avançar um pouco mais, uma vez que algumas questões permanecem sem respostas.

Segundo Costa, “sabe-se hoje que a opção ou não por indicadores estatísticos depende exclusivamente dos objetivos da pesquisa” (idem, p. 210), assim sendo, as motivações mais profundas dos leitores dos weblogs apresentados neste trabalho, bem como as justificativas reais que as levam a preferir determinados webloggers/autores ou identificar-se com determinados weblogs devem ser buscadas numa pesquisa que procure superar a superficialidade das respostas assim como aprimorar as pesquisas empíricas no âmbito comunicacional da internet com o foco aplicado à recepção, interpretação e sensibilidade dos weblogs.

Os dados qualitativos consistem em descrições detalhadas de situações com o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios termos. Estes dados não são padronizáveis como os dados quantitativos, obrigando o pesquisador a ter flexibilidade e criatividade no momento de coletá-los e analisá-los. Não existindo regras precisas e passos a serem seguidos, o bom resultado da pesquisa depende da sensibilidade, intuição e experiência do pesquisador. (Goldenberg 1997, p. 53)

A pesquisa qualitativa deste trabalho foi realizada a partir de uma observação que buscou usuários/leitores dos cinco weblogs que apresentamos no segundo capítulo. Como a nossa premissa levava em consideração a impossibilidade (por meios e por não dispormos de maior tempo) para desenvolvermos primariamente uma pesquisa quantitativa que nos indicaria os reais usuários/leitores para os cinco weblogs que nos dispomos a estudar, realizamos a amostragem a partir de aspectos singulares que hipoteticamente nos guiaram aos dez entrevistados que apresentaremos logo adiante. Estes aspectos, determinados experimentalmente pela minha (já) participação como leitora/usuária de weblogs considerou: links disponíveis pelos cinco autores/weblogs estudados (em suas páginas) para ademais weblogs/autores, e nomes de destaque no cenário [66] do movimento dos weblogs. Além disso, consideramos os cinco weblogs/autores estudados igualmente como usuários/leitores.

Nos propusemos a buscar dez leitores/usuários, os quais seriam contatados através de e-mail. Nossa técnica de investigação foi construída aos moldes de uma entrevista (aberta) atribuída de características de um questionário.

Um dos principais problemas das entrevistas e questionários é detectar o grau de veracidade dos depoimentos. Trabalhando com estes instrumentos de pesquisa é bom lembrar que lidamos com o que o indivíduo deseja revelar, o que deseja ocultar e a imagem que quer projetar de si mesmo e de outros. (Goldenberg 1997, p. 85)

   Tendo em mente que cada questão precisava estar relacionada aos objetivos de nosso estudo, nosso questionário foi estruturado de modo rigidamente padronizado: as perguntas foram apresentadas com as mesmas palavras e na mesma ordem, de modo a assegurar que todos os entrevistados respondessem à mesma pergunta, sendo as respostas mais facilmente comparáveis. Nossas perguntas foram do tipo abertas permitindo uma resposta livre, não-limitada por alternativas apresentadas, permitindo ao pesquisado escrever livremente.

Foram enviados ao todo trinta e dois emails para trinta e duas pessoas distintas [67] . O resultado final, a seguir, apresentará as exatas dez entrevistas respondidas e recebidas através de email dispostas na ordem de chegada. Optamos por apresentar as entrevistas nesta ordem afim de melhor abordar a participação voluntária de alguns dos entrevistados na capacitação de nossa coleta de dados.

O conteúdo [68] da entrevista/questionário enviada por email continha as seguintes perguntas:

01- Considerando seu contexto particular, qual é, na sua opinião, a principal razão para acessar weblogs?

02- Qual o tipo de conteúdo que você espera encontrar nos weblogs (um assunto específico? diversidade de conteúdo? assuntos de interesse comuns ao seu?) 

03- Caso você tenha alguma rotina na leitura diária de weblogs, por que você acha que ela existe? Quais os motivos que o fazem ler diariamente um determinado weblog?

04- Quais seus sentimentos relativos aos autores de weblogs? Você acha que o processo da escrita encontrado nos weblogs facilita a comunicação/expressão do sentimento humano destes autores?

05- Você acha que os weblogs transformaram ou modificaram o panorama da Web? Caso sim, poderia descrever suas opiniões relativas a ‘como’ e ‘por quê’?

06- Ao discutir a comunidades virtual, estudiosos acadêmicos relacionam freqüentemente a rede à idéia de ‘esfera pública’, como é o caso de Jurgen Habermas [69] (1989). Em uma esfera pública ideal, os cidadãos discutiriam assuntos de seu interesse e chegariam a um consenso para o bem comum. Você acha que os weblogs trazem um maior compromisso e  uma maior interação entre o leitor e o autor? Você sente esta forma de interação ocorrendo com você? Caso sim, como você descrevê-lo-ia?

07- Os weblogs podem ter uma sensibilidade humana? Caso sim, ‘como’ e ‘por quê’.

08- Andrew Grumet [70] disse: “um weblog pode fornecer:

a-) um modo de nos sentirmos mais próximos de nossos amigos e dos membros de nossas famílias que podem estar geograficamente distantes;

b-) uma forma de localizar/encontrar e permanecer atualizado referências quanto as atividades profissionais (de colegas) ou de pessoas que compartilham de um mesmo interesse comum ao nosso;

c-) variadas perspectivas e observações em primeira mão sobre eventos atuais;

d-) um vislumbre voyeurístico (relativo a voyeurismo) à vida de alguém que nos interessa”.

 Quais são suas opiniões às observações de Grumet?

09- Deixe-me indicar alguns nomes: Anil Dash, Dave Winer, Doc Searls, Matthew Haughey e Mena Trott. Se algum destes webloggers são weblogs que você geralmente lê, você poderia explicar as razões porque você os lê e o que você gosta sobre eles? Como você se sente quando os lê?

Diante do guia de perguntas acima descrito, nos propomos neste momento a apresentar (brevemente) os dez entrevistados seguindo com a exposição de suas respectivas respostas [71] .

·        David Weinberger: usuário e autor do www.hyperorg.com/blogger














David Weinberger é Doutor em Filosofia pela Universidade de Toronto. Foi professor durante seis anos e trabalhou mais sete como escritor de comédia para o diretor de cinema, Woody Allen. David foi co-autor (juntamente com Doc Searls) do livro “The Cluetrain Manifesto” e autor de “Small Pieces Loosely Joined” descrito como “uma unificadora teoria sobre a web”. Outros exemplos de trabalhos publicados sob sua autoria já estiveram nas páginas de jornais como The New York Times, Harvard Business Review, The Boston Globe, e de revistas como Wired e Research in Phenomenology. David é freqüentemente seminarista convidado de diversos eventos ao redor do mundo onde geralmente discute efeitos relacionados a Web. Ele é americano e mora na cidade de Boston com sua esposa e seus três filhos.

Suas respostas:

01- Ler diversos pontos de vista de um assunto que me interessa, manter contato com amigos, inclusive amigos que só conhecemos através de seus weblogs.

02- Weblogs são formas retóricas. O conteúdo pode ser qualquer coisa.

03- Eu faço esta leitura através de um página onde agreguei uma lista de weblogs que facilita minha leitura diária de weblogs. Os blogs foram inseridos nesta lista porque eles foram ou são interessantes pra mim. E eu os leio diariamente porque eles estão na lista.

04- Os weblogs são geralmente escritos na ‘voz’ do autor que dessa forma expressa ou conduz muito sentimento.

05- Weblogs têm dado ‘voz’ para muitas pessoas que de outra forma não teriam encontrado uma forma de se expressar pela dificuldade ou pela incomodação que tinham na atualização de um website diariamente. O agrupamento de weblogs, através dos blogrolls [72] , cria teia de interesse no topo da WWW. Weblogs tem sido um local crucial para encontrar análises de notícias.

06- A web é a nova esfera pública, mas não aquela que traz consenso. Os Weblogs são uma parte disto. Porque os comentários postados nos weblogs tendem a ser maiores que aqueles inseridos em fóruns de discussão online, weblogs tem facilitado a entrada de comentários consideráveis que estão expostos ao público feedback. Os weblogs não trouxeram compromisso maior entre o leitor e o escritor assim como nenhuma outra forma de escrita trouxe. Mas a sua perseverança – o fato do mesmo autor escrever um blog todos os dias durante anos – configurou uma relação única entre o escritor e o leitor.

07- Eu não entendo o que você quer dizer. Mas se eu tivesse que adivinhar: a grande razão porque estamos lendo weblogs é porque eles são escritos por uma voz humana.

08- Sim, todos os apontamentos são verdade.

09- Eu leio dois desses freqüentemente. Aqui está o porquê - Winer:  notícias, opinião forte e porque eu sei que todo mundo está lendo ele e eu quero saber sobre o que outras pessoas estão falando sobre os assuntos que ele comenta. Searls: notícias, reflexões, e porque ele é um de meus amigos.

 

·        Jish Mukerji: autor de www.jish.nu















Jish Mukerji
é Mestre em Bilogia Molecular (Neurosciences) pela Universidade de McGill (Montreal). Atualmente ele trabalha para uma companhia de software na área de biotecnologia e farmácia. Jish, (32 anos) é americano, descendente de indianos e residente da cidade de São Francisco na Califórnia.

Antes de responder às perguntas enviadas, Jish nos escreveu perguntando o que achávamos sobre ele mencionar nossa pesquisa em seu weblog uma vez que alguns de seus leitores também poderiam ser usuários/leitores dos cinco weblogs que nos propusemos a estudar. Aceitamos a contribuição/ajuda de Jish que através do ‘post’ em seu weblog (representado pela imagem abaixo) nos forneceu dois consideráveis usuários/leitores que mais adiante estaremos apresentando.

 

 

 

 

 



Suas respostas:

01- Para mim, os weblogs são uma grande maneira de manter contato com meus amigos que eu não vejo diariamente. Dessa forma posso me manter informado quanto ao que está acontecendo na vida deles e com o que eles tem ocupado suas mentes. Além disso, eu tenho a oportunidade de espiar a vida de diversas pessoas interessantes que nunca conheci.

02- Eu gosto de ler weblogs que linkam interessantes sites da mesma forma que eu gosto de ler weblogs que são extremamente pessoais e que contém poucos (isso se alguns) links para sites externos.

03- Alguns fatores me atraem a um weblog. Primeiramente, se um amigo em quem confio aprecia um weblog em particular, é quase certo que eu também irei apreciar e me interessar. Em segundo, eu sempre aprecio ler weblogs dos meus amigos. Em terceiro lugar, eu me sinto atraído por weblogs com algum conteúdo relativo a tecnologia (especialmente gadgets [73] ). E por último, se eu encontrei algum conteúdo que me interessou em um weblog em particular, provavelmente retornarei.

04- Não necessariamente. Muitos autores de weblogs simplesmente apresentam fatos como um repórter faria ao invés de oferecer uma observação pessoal ou uma perspectiva de acordo com o que pensam. Entretanto, eu sou atraído a sites que oferecem um ‘toque humano’ juntamente ao conteúdo.

05- A interconexão e a disseminação (como vírus) que os weblogs tem reproduzido à rede tem drasticamente transformado o panorama da web. É surpreendente pensar que eu seria capaz de testemunhar um evento que interfere nos padrões de vida da humanidade, e espalhar notícias no meu weblog para o conhecimento de (potencialmente) milhões de leitores num espaço de tempo irrisório.

06- Weblogs permitem uma relação melhor entre o leitor e o autor do que as oferecidas em outras formas de mídia. Por exemplo, um repórter que publica artigos no jornal geralmente menciona no final de seu artigo ou matéria um comentário como ‘enviar e-mail com suas opiniões para reporter@empresaondetrabalha’. Se o artigo fosse num modelo tradicional de weblog (permitindo aos leitores fazerem seus comentários logo em seguida e publicamente, onde os demais leitores também poderiam ler seus comentários), isto facilitaria com que muitos leitores trocassem opiniões não apenas com o autor mas entre si também. Esta forma de interação/diálogo ocorre em ambas as formas no meu weblog e quando eu visito weblogs de amigos. Muitas vezes, eu percebo que um mesmo grupo de pessoas comenta ‘posts’/entradas de um weblog em especial. De alguma forma, isto forma uma comunidade de leitores.

07- Certamente que podem. Um exemplo de um weblog onde eu não encontro os sentimentos ou a personalidade do autor é o Gizmodo [74] . E isto não é uma coisa ruim, em fato, este é um dos weblogs que eu visito e revisito muitas e muitas vezes. Ao visitar outros weblogs, freqüentemente noto que visito pelos sentimentos mais profundos do autor (ou fotógrafo, no caso de photoblogs [75] ) que brilham através das páginas.

08- a-) esta é uma das razões primárias do porquê eu me sinto conectado aos weblogs dos meus amigos que estão ao redor do mundo. Na minha opinião, eu me acho capaz de relacionar/simpatizar com os sentimentos pessoais mais sinceros dos meus amigos de forma melhor do que eu poderia relacionar de pessoas que são desconhecidas por mim.

b-) eu mencionei Gizmodo anteriormente.... e mesmo que eu me sinta atraído por weblogs com conteúdo sobre tecnologia (para saber de novas parafernálias lançadas no mercado), Gizmodo é um exemplo de ‘parada para compras’, onde eu posso encontrar destaques de lançamentos atuais e discussões sobre estes equipamentos.

c-) as pessoas freqüentemente comparam weblogs com jornalismo e o pensamento inverso é motivo de debate da mesma forma. Pessoalmente, eu concordo com a avaliação de Andrew quando diz ‘variadas perspectivas de primeira mão’. A maioria das opiniões expressas em ‘post’ de weblogs não foram projetadas ou destinadas para o consumo de massa.

d-) Um comentário comum sobre meu weblog que eu recebo e leio de amigos e de desconhecidos que acessam meu weblog é: ‘eu gosto de ler sobre o que está acontecendo na sua vida’. Algumas vezes isso pode soar meio horripilante, mas ao que observamos de uma outra forma, isto alimenta o exibicionismo que existe em casa um de nós.

09- Os weblogs que tendo a freqüentar são de amigos ou de conhecidos próximos. Isso não quer dizer que eu avalio o que eles dizem como um conteúdo de maior valor ou superior a outros weblogs, eu simplesmente estou mais interessado em me manter atualizado com o que está acontecendo na vida dessas pessoas que por mim são estimadas. É como cruzar com um velho amigo na rua e parar num bar para beber alguma coisa e papear sobre o que anda acontecendo com a vida dele. E por esta razão eu sigo e leio os weblogs de Matt, de Mena e de Anil.

·        Matthew Mullenweg: autor do photomatt.net

Matthew Mullenweg é americano e estudante do segundo ano de Economia na Universidade de  Houston. Leitor de Jish Mukerji, Matthew teve interesse em responder a entrevista proposta para este trabalho e nos enviou um e-mail com suas respostas. Matthew mora na cidade de Huston, no estado do Texas. A imagem a seguir representa seu weblog.

 














Suas respostas:

01- O que aprecio na leitura de weblogs porque eu gosto da inclinação pessoal sobre eventos que eles oferecem. Ao invés da escrita comum e genérica eu consigo muito mais de personalidade. Como eu estou na Web durante muitas horas do meu dia, minha sede por atualizações é saciada pela freqüente atualização que muitos weblogs têm.

02-  eu sou realmente aberto a tudo. Pessoalmente eu sou mais impulsionado a ler um blog que tenha tendência em assuntos de tecnologia porque é algo que me interessa muito. E eu parei de ler muitos blogs que passaram a se dispersar muito desse foco.

03- Eu sigo a coluna lateral do meu weblog que se atualiza automaticamente assim que algum dos weblogs que eu freqüentemente leio foi atualizado. Eu clico em cerca de uma dúzia deles e ao ler, posso ir seguindo diversos links que são oferecidos por eles também e algumas vezes eu deixo comentários. Faço isso diversas vezes durante o dia e geralmente quando eu encontro um tempo livre. Certos blogs eu leio mesmo quando estou ocupado porque aprecio demais o conteúdo deles e dentre esses eu citaria: tantek.com/log [76] , simon.incutio.com [77] , www.zeldman.com [78] , diveintomark.org [79] .

04- Absolutamente. Como eu disse anteriormente, é a voz do autor um dos principais atrativos dos weblogs pra mim. Consigo pensar em Mark Pilgrim e Dave Winer que são realmente insolentes algumas vezes, mas que assim como outros bloggers que conheci ou que me correspondo, são realmente pessoas bacanas.

05- Eu acho que a recente revolução de publicações pessoais através de ferramentas para a produção de blogs irá mudar tudo. Você até mesmo pode notar os efeitos disso nos rankings de ferramentas de busca como o Google por exemplo.

06- É provável que a maioria dos autores de weblogs concordem que cerca de 20% de sua audiência/leitores é ativamente participativa, deixando comentários e seguindo os links oferecidos. Zeldman [80] fez um ‘post’ sobre isso na semana passada eu acho.

07- Eu não tenho bem certeza sobre o que você quer saber com esta pergunta.

08- a-) Quando a maioria dos meus amigos se mudaram devido à universidade em que foram aceitos, eu os ajudei a montar seus weblogs que hoje tem nos ajudado a manter contato com bastante freqüência. É uma forma meio que passiva de se manter atualizado com o que está acontecendo na vida deles, e isto certamente me convida a continuar uma maior comunicação.

b-) Sim. Algumas pessoas na minha cidade (de cerca de 3 milhões de pessoas) dividem comigo o mesmo interesse e sensibilidade por assuntos sobre a Web, dessa forma, ter uma comunidade inteira (ou ‘tribo’ como eu já ouvi sendo chamado) online é meio que acalmar a solidão.

c-) Isto é raro, mas quando isto acontece é ótimo. Veja Salam Pax [81] por exemplo.

d-) Mais uma vez, correto.

09- Dave Winer: ele é um imbecil que capta muitas das coisas erradas, mas que ocasionalmente tropeça em algo que realmente pode ajudar a comunidade. Ele é um melhor programador que comunicador e mesmo a contragosto eu o respeito. Algumas vezes seus comentários realmente me aborrecem, mas fornece ótimos links, então eu o leio freqüentemente. Matt Haughey: ótimo cara que desenvolve excelentes códigos e que faz um ótimo trabalho comunitário. Algumas vezes parece que ele fica meio que sem assunto no blog dele, mas geralmente é maravilhoso. Anil Dash: Um dos meus favoritos. Sua escrita é realmente excelente, seus ‘posts’ perspicazes e o estilo dele é puro entretenimento. Quase todos os posts são jóias e apesar dele geralmente não retratar assuntos mais técnicos ligados a Web, religiosamente leio seu blog. Os links diários que ele oferece são ótimos também e eu os acesso da mesma forma.

·        Scott Gowell: autor do www.sinekow.org

Scott Gowell é americano e graduando do curso de Computação pela Universidade Northern Michigan. Leitor de Jish Mukerji, Scott teve interesse em responder a entrevista proposta para este trabalho e nos enviou um e-mail com suas respostas que seguem abaixo. Scott mora na cidade de Marquette onde finaliza seu curso e trabalha como webmaster para diversos sites do Governo do Estado do Michigan.  A imagem abaixo representa a página com seu weblog.














Suas respostas:

01- Weblogs fornecem uma nova forma de conteúdo. Muito além de serem apenas diários online, weblogs dão às pessoas um lugar onde dividir suas idéias e pensamentos (não importando o quanto pessoal eles forem), suas experiências (não importando o quanto embaraçosas tenham sido), e suas opiniões (não importando o quanto politicamente incorretas elas sejam).

02- Qualquer coisa. Eu tenho um ‘blogroll’ muito eclético e me orgulho disso. Os assuntos variam do mundano ao cotidiano, ao tecnológico.

03- Alguns dos blogs que leio narram fatos da vida pessoal de seus autores, como cada novo dia traz um novo capítulo à ‘saga’. Alguns sites são apenas tentativas de leituras, geralmente humorísticos e que podem fazer meu dia.

04- Eu sei que em meu blog eu posso escrever e falar sobre assuntos que não falaria nem mesmo com minha família, e isso é liberdade.

05- Certamente. Recentemente fui entrevistado pela Wired [82] sobre as mudanças da ferramenta de busca Google com o advento dos blogs e na entrevista disse que a Web de hoje é um ambiente totalmente diferente do que era quatro, dois, um ano atrás. Nós não ouvíamos sobre freqüentes atualizações tão imediatas em páginas de raiz de sites [83] .

06- Blogs, e mais importante ainda – as ferramentas para blogs permitem uma melhor ‘inter-comunicação’ entre o blogger/autor com o leitor. Trackback [84] e Pingback [85] , especialmente.

07- Um blog tem a mesma sensibilidade que seu autor, além da mesma forma como eles interpretam e se revelam através do formato.

08- Winer escreve sobre o movimento dos ‘blogs’ e isto realmente me fascina, da mesma forma que Doc e Mena. Matt está no mesmo nível de leitura uma vez que ele também trabalham com programação (assim como Mena e também Anil). O conteúdo de seus blogs e  a prática profissional de cada um deles é o me faz retornar e revisitar seus sites.

·        Cheyenne Burnsworth: autora do gnome-girl.com
















Cheyenne Burnsworth (31 anos) é americana residente da cidade de São Francisco no estado da Califórnia. Atualmente trabalha para uma companhia de energia elétrica americana como suporte (técnico e em web). Cheyenne produziu dois programas sobre weblogs para um canal de televisão da Califórnia exibidos ano passado. Cheyenne também é leitora e amiga de Jish
Mukerji, mas recebeu o e-mail contendo a entrevista desta pesquisa por estar citada no weblog de Dave Winer.

Suas respostas:

01- A habilidade de interagir com uma variedade de pessoas de diferentes estilos de vida e poder espiar um pouco na vida delas, assim como colher informações que nos podem ser importantes a partir das palavras escritas por estas pessoas.

02- Eu encontro de tudo através dos weblogs, de humor à suporte técnico.

03- Leio diariamente porque formei ligações/relações com os autores dos weblogs. É como tomar um café com alguém com quem você simpatiza através de um monitor e um teclado.

04- Considero a maioria dos autores dos blogs que leio, meus amigos e nós nos comunicamos e conversamos um com o outro desta forma.

05- O ato de ‘blogar’ abriu uma nova avenida para a comunicação. Quando observamos que a grande maioria das pessoas na sociedade atual trabalham em média 50/60 horas por semana, mantendo suas famílias, criando seus filhos, mantendo atividades extras e de lazer; podemos perceber que os weblogs tornaram possível a interatividade dessas pessoas com outras que passam pelas mesmas situações que elas, fazendo com que nenhuma se sinta deixada de lado. Weblogs são úteis por diversos motivos, mas à comunicação é a principal.

06- Eu permito comentários em meu weblog de forma que isso gradativamente aumenta minha interatividade com meus leitores da mesma forma que em outros weblogs (que leio) isto me permitiu formar novos laços de amizade (tanto pessoalmente quanto online).

07- Claro. O primeiro passo foi a criação dos weblogs, agora nós estamos nos ramificando e partindo para conhecer aqueles com quem ‘blogamos’.

08- Concordo com tudo que Grumet declarou como comentei em meu weblog na época. Acredito que nós todos temos um lado naturalmente voyeurístico e que os blogs têm, de alguma forma nos levado a expressar este lado.

09- Leio os weblogs de Dave Winer, Doc Searls e Mena Trott porque os conheci pessoalmente e porque colho informações (pessoais e tecnológicas) relevantes pra mim em seus blogs.

·        Chuck Olsen: autor do chuckolsen.blogspot.com

Chuck Olsen foi apresentado no início desta pesquisa como o americano que atualmente realiza um documentário independente sobre Blogs – “Blogumentary A Documentary About Blogs”. Por ser Chuck (também) um usuário/leitor/autor de weblog, nossa entrevista também foi respondida por ele.














Suas respostas:

01- Dois motivos: 1- estar melhor informado e aprender coisas novas, 2- para se entreter.

02- Geralmente notícias e opiniões políticas,  notícias e opiniões tecnológicas e detalhes sobre vidas pessoais. Progressivamente áreas mais específicas atravessando ocupações (educação, direito, leis) e interesse (costura, culinária, The Matrix) e ademais.

03- Sim, minha rotina primeiramente é checar sobre o que a blogosfera está cochichando, via DayPop, Blogdex, Corante [86] , BuzzMachine, Anil Dash, e assim por diante. Eu também visito os blogs de meus amigos locais diariamente. Tudo isso geralmente me mantém sintonizado ao que eu faço a leitura sobre muitos assuntos de informação e entretenimento. Dado ao meu trabalho realizando o documentário, eu venho tentando me manter atualizado com o mundo ou o movimento dos blogs especificamente, bem como percorrendo as trilhas daqueles que estão lendo meu blog, vendo meus vídeos e o que estão comentando sobre eles.

04- Em algumas situações sim. Por exemplo, uma mulher de Minnesota “Plain Layne [87] ” é muito sincera e pessoal em seu weblog ao que ela descreve seus problemas com relacionamentos. Seu diário incita, algumas vezes, um sentimento e uma resposta de seus leitores incluindo eu mesmo. Pessoalmente, eu acredito que ela seja tímida, até porque ela hesita em me encontrar para participar do Blogumentary, mas ela acha fácil se expressar e se comunicar através do seu blog.

05- Sim, completamente. Blogs facilitaram pra todos a publicação online, e mais importante ainda, capacitaram e permitiram milhares de pessoas a linkar e a comunicar; formaram laços comuns ao redor de interesses comuns, incitaram debates políticos, e tantas outras coisas. É bem evidente também para ferramentas de busca como o Google, por exemplo. É como tocar um microcosmo da humanidade.

06- Às vezes. Algumas pessoas estão mais interessadas em polarizar argumentações, e a web é um espaço muito fácil para a aplicação e a prática disso. Mas a web também facilitou a apresentação da informação ao formar um consenso se isto é que você quiser encontrar, ou for o que você estiver disposto a escutar na vida real. Com esperança, as comunidades virtuais mantém os pólos extremos porque há pessoas suficientes nessa comunidade para moderar e apresentar informação. Eu já tive debates políticos em blogs e eles raramente atingem um consenso, mas eu experimentei e estou de acordo com o que experimentei e eu tenho lido assuntos com uma nova visão porque parte da interatividade está através de alguém que divide uma opinião diferente da sua. Exemplo? Michael Moore na noite do Oscar [88] . Alguém diz que ele é uma fraude, um mentiroso e que deveria ter ficado quieto. Eu discordava, mas aprender que ele falou besteira e satirizou demais sua mais recente obra [89] , me aquietou. A web é indubitavelmente o lugar onde as mais importantes conversas sobre política, sociedade, economia e ética está acontecendo, e isto é uma esfera pública de alguma forma.

07- É quase que um requisito básico ter uma sensibilidade humana afim de se manter um blog. Mesmo se um blog for ‘frio’ ou muito ‘técnico’, isto está refletindo a natureza da pessoa que escreve. Muitos blogs literalmente são extensões da pessoa que escreve, cheio de personalidade e vida.

08- a-) Sim, e até mesmo se eles não estão geograficamente distantes. Eu não falo muito com minha mãe mas nós trocamos email ou mensagens instantâneas na internet ou nos falamos via blog, e ela mora três quilômetros de distância de onde estou. Eu entrevistei uma garota que morou na Tailândia por um tempo e o blog dela foi o instrumento principal de comunicação dela com amigos e sua família que sabiam através dela, como estava sua vida.

b-) Absolutamente

c-) De fato, e Salam Pax  é, com certeza, o melhor exemplo disso.

d-) De fato, veja meu exemplo sobre Plain Lane já mencionado.

09- Eu leio Dave Winer porque ele é a voz de sentinela sobre blogs e tecnologia, e ele é meio nervoso e engraçado. Algumas vezes leio Doc Searls por suas observações e reflexões sobre tecnologia, jornalismo e ademais assuntos. Eu não leio o blog da Mena a não ser que algum outro blog que eu esteja lendo a tenha linkado, mas eu sou fã dos Trotts e estou sempre interessado no que está na cabeça e na mente da Mena, uma vez que ela é a menina prodígio atrás do MovableType. Os Trotts são fascinantes, eles são tímidos e um tanto nerds à primeira vista, além de criativos e influentes. Anil tem sempre links incríveis e eu conversei com ele pessoalmente em diversas ocasiões, então eu gosto de me manter informado com o que está acontecendo na vida dele. Eu também simplesmente gosto do cara, ele é engraçado e eu quero continuar atualizado com o que ele está fazendo dentro do TypePad.

Oops, esqueci do Matt Haughey. Eu leio muito ele. Nós temos muitos interesses em comum e ele está sempre à frente em jornalismo e em tecnologia. Ele me lembra muito um colega de ginásio que eu tive, o Andy, nerd e muito legal por sinal. Matt me ofereceu o quarto de hóspedes da casa dele pra quando eu for visitar o oeste, o que é imensamente gratificante porque isto significa que ele confia em mim e que aprecia meu projeto. Ele é tão respeitado em seu projeto MetaFilter – como um deus – que eu costumava achar que ele era tipo um esnobe, mas depois de conhecê-lo, percebi que ele é terrivelmente tímido e consegue ser irreverente online. Em fato, ele é extremamente legal que eu quase me sinto um parente dele.

·        Matthew Haughey: autor do a.wholelottanothing.org

Autor de um dos cinco weblogs estudados neste trabalho, Matt também é um usuário/leitor de weblogs. Tendo em vista que sua apresentação deu-se no segundo capítulo deste trabalho, iremos, neste momento, apenas a descrever suas respostas à entrevista/questionário.

01- Manter contato com os amigos, encontrar links para novas coisas e ler notícias/novidades.

02- Espero encontrar basicamente de tudo: texto, fotografias, músicas, qualquer coisa que o autor se disponibilizar a contribuir e publicar.

03- A maioria dos blogs que leio são de pessoas que conheço por referência ou que conheço pessoalmente.

04- A maioria dos weblogs que leio são escritos por amigos pessoais, então acredito que os blogs substituem o contato humano ausente do momento, então eles devem comunicar ou expressar certo sentimento humano.

05- Sim, eles voltaram a fazer da web um ambiente de escrita (no modo computacional de ler/escrever). Nos primórdios da web, a maioria das pessoas que a utilizavam também criavam conteúdo pra isso, mas no final dos anos 90, a web se tornou quase que totalmente leitura apenas, com pessoas tratando a web como se a web fosse uma forma interativa de televisão. O movimento dos blogs fez com que as pessoas se lembrassem que qualquer um pode escrever o que quiser e ainda encontrar um lugar pra isso na web.

06- Weblogs aumentam a interação entre leitor e autor, mas acredito que em grande parte isso está relacionado a percepção. Se você lesse meu blog por anos,  como leitor você poderia achar que me conhece, mas eu posso não saber nada sobre você. 

07- Eu não sei o que você quis dizer com esta pergunta.

08- Isto se parece com quase tudo que descrevi nas questões anteriores. Eu concordo com todas as observações de Andrew.

09- Eu leio os blogs de Mena e Anil regularmente porque são meus amigos e gosto de manter contato com eles através de seus blogs, sabendo o que estão fazendo e pensando. Leio Dave Winer de tempos em tempos pra saber sobre o que ele tem escrito sobre indústria, e o resto eu leio quando alguém da minha lista de leitura diária menciona ou linka.

·        Anil Dash: autor do www.dashes.com/anil

Também autor de um dos cinco weblogs estudados neste trabalho, Anil igualmente é um usuário/leitor de weblogs. Tendo em vista que já o apresentamos no segundo capítulo deste trabalho, passaremos, neste momento, apenas a descrever suas respostas à entrevista/questionário.

01- Eu acredito que o primeiro motivo/razão em se ler weblogs é que as pessoas ganham acesso a uma variedade muito grande de opiniões e informações utilizadas para preencher a forma como elas vêem e observam o resto do mundo delas.

02- Muitos dos meus sites prediletos são sobre assuntos específicos e sites realmente apaixonados por aquela determinada área (do assunto). Porém, muitos dos que eu mais  freqüento são de pessoas que eu acho interessante e que são consideráveis em qualquer assunto que estejam discutindo.

03- Uma ou duas vezes por dia eu acesso todos os sites que costumo ler atrás de atualização. Depois eu passo por alguns que seguem uma freqüência inexata de leitura na minha rotina. Tipicamente um weblog que eu leio diariamente tem atualizações freqüentes, uma personalidade marcante e uma boa variedade de assuntos e uma profunda escrita.

04- Eu absolutamente acredito que o weblog como um ‘meio’ demanda mais sensibilidade e presença pessoal do que qualquer outro formato que aspire ser  anônimo ou  isento ou imparcial. Eu noto que os sites que leio mais freqüentemente tendem a ser escritos por amigos, mesmo quando eles não são pessoas que eu conheço pessoalmente.

05- Eu acho que os weblogs restauraram algumas idéias das pessoas que tentavam compreender ou estudavam como a web se desenvolveria, com uma enorme participação de pessoas conectadas entre si através da rede criando formas, caminhos, e tendo um acesso fácil. O boom dos domínios transformou a web em algo que ela não era realmente boa, e talvez os weblogs estejam ajudando a web a se recuperar.

06- Weblogs são de longe a maior forma de interatividade da mídia. Eu constantemente estou recebendo comentários, e-mails e mensagens instantâneas de meus leitores e eu mantenho contado com autores de blogs que leio dessa mesma forma – e isso preenche ou alimenta a minha escrita assim como também me encoraja  a redefinir a minha comunicação, meu processo de comunicação. Isto também tem me dado confiança para pressionar meus leitores em termos de assunto e estilos de comunicação, uma vez que as pessoas que entram em contato reforçam seus desejos de acomodar ou trocar idéias e expressões que são pouco comuns e algumas vezes originais.

07- Eu acho que eles devem de modo a terem sucesso. A sensibilidade ou o toque humano em um weblog é o que distingue isso das demais formas de escritas encontradas em outros meios, e a possibilidade de encontrarmos isso na web.

08- Eu diria que os weblogs fornecem todos estes benefícios e mais: weblogs podem muitas vezes atuar como uma fonte definitiva dentro de um assunto obscuro ou ainda não claro, ou como o ponto de encontro de uma grande comunidade onde nem estaria incluído o autor do weblog. Estas são fantásticas e inesperadas tendências que vemos emergindo na área dos weblogs.

09- Eu costumo ler Dave Winer quando outros blogs o linkam. Eu acho que ele tem muito a contribuir à área de tecnologia mas o que foge a este assunto em seu weblog (e suas conversas sobre contribuições tecnológicas) tendem a distrair e difamar o valor das principais mensagens.

O site de Doc Searls eu checo freqüentemente e os assuntos tendem a espelhar ou conduzir às perspectivas e opiniões que eu lerei em outros sites. Eu vejo isso como um barômetro da popularidade de idéias no cenário dos weblogs, da mesma forma que um medidor de sua popularidade.

O blog de Matt é a forma com que mantenho contato com um amigo. Muitas das idéias que eles escreve são sobre assuntos que apareceriam em uma conversa normal com ele caso nos encontrássemos, por exemplo. E eu vejo observo que a escrita de Matt sobre essas idéias são aprofundadas e melhor analisadas quando ele as apresenta em seu weblog.

Eu também leio o blog da Mena [90] , mas é difícil pra mim comentar sobre o dela uma vez que ela é minha chefe e somos bons amigos. Então eu não sei o quanto eu poderia dizer além de que é muito bom ver alguém utilizando um weblog como meio de expressão do lado humano de sua carreira profissional. Parece que existe um esforço consciente onde tentamos representar através do blog dela o lado pessoal e humano da empresa. Acredito que isto no futuro servirá de modelo visto que uma gama de executivos poderiam ter weblogs.

·        Daniel Pádua: autor do www.dpadua.org/weblog















Daniel Pádua [91] (23 anos) é brasileiro residente da cidade de Belo Horizonte no estado de Minas Gerais. Daniel estudou
Informática no Cefet-MG, Publicidade - até o quarto período - no UNIBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e atualmente cursa Educação Artística, na UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais). Daniel trabalha com internet desde 1997 e hoje é designer de interfaces do UNIBH.

Suas respostas:

01- A princípio, vários motivos, especialmente porque, como qualquer outra pessoa, desempenho atividades na minha vida que me direcionam a diferentes tipos de informação. Entretanto, eu não sinto que estou lendo um weblog, mas "chegando atrasado" para uma conversa íntima. Existe uma pessoa do lado de lá. Por isso, no fim das contas eu acredito que lemos os blogs por uma curiosidade típica da espécie, uma vontade de ouvir as pessoas, descobrir os sentimentos que elas estão experimentando e talvez até participar dessa experiência com ela, se a expressão dela nos contagia de alguma maneira.

02- Eu leio weblogs de todo tipo... e os procuro em função da minha demanda por informação, que é bem dinâmica. Quando estou interessado em ler sobre a
minha atividade produtiva, procuro blogs de gente que reflete sobre a Internet e acompanham seu desenvolvimento, quando quero relaxar e "trocar idéias", acesso blogs de pessoas que me são extremamente simpáticas e com as quais me identifico em termos de interesses, quando estou num dia bastante curioso, saio procurando blogs a esmo, e aí leio praticamente qualquer coisa: da colegial apaixonada ao tarado por sexo. É como eu disse: não sinto que leio pelo conteúdo, mas porque a pessoa que ali escreve é capaz de me cativar de alguma maneira.

03- Infelizmente não tenho tido tempo de organizar uma rotina diária de leitura... por dois motivos: sempre estou envolvido com algum trabalho e meu bookmarks é bem grandinho. Por isso eu acabo escolhendo este ou aquele para dar uma lida. Entretanto, alguns weblogs conseguem me fazer retornar todos os dias. Geralmente são aqueles que mais me cativam (aí seria como ter saudade da pessoa que escreve e querer voltar sempre). Ou quando ler um determinado weblog torna-se parte da sua rotina social - que é quando você participa de
alguma comunidade online e quase todas essas pessoas estão atentas à este blog. No meu caso, dois bons exemplos são o No Mínimo Weblog (nominimo.ibest.com.br - clicar em “weblog") - e o Don't Believe the Hype (www.dbth.net), que são bastante lidos pelo pessoal do Projeto Metáfora (www.projetometafora.org), do qual participo. Neste último caso, é interessante uma comparação com a hora do cafezinho, numa empresa. Quem perde a conversa da hora do cafezinho, geralmente fica boiando uma boa parte do dia sobre o que as pessoas estão comentando ou refletindo.

04- Certamente. Porque os símbolos despertam reações emocionais. A informação é um mecanismo que catalisa uma construção sensível no interior das pessoas. Acredito que num mundo onde o hábito de ler sucumbiu em parte à apreensão direta das situações simbólicas, nem todos temos uma sensibilidade sintonizada com a decodificação abstrata do texto. Mas aqueles que o tem, com certeza conseguem captar o sentimento do outro, talvez numa profundidade até maior. Eu costumava ler o blog da Rossana Fischer (www.wumanity.com), até o dia em que ela entrou em depressão, e eu simplesmente não conseguia mais acompanhar. Porque as palavras dela expressando a angústia estavam me ferindo, me envolvendo da experiência pela qual ela passava.

05- Sim... a Web estava se tornando o lugar do conteúdo corporativo, trazendo para o nosso "playground" a mesma sensação de que só a mídia comercial tinha informações sobre a vida. De repente, com os weblogs, o véu das info-corporações caíram e começamos a perceber mais facilmente a Internet como uma malha conectando pessoas, e cada uma dessas pessoas tendo algo de útil a acrescentar à conversa do dia-a-dia. Pra mim é óbvio que estamos no
estágio embrionário de uma nova alternativa de infra-estrutura de comunicação social, centrada na contribuição de cada indivíduo, definitivamente tratado com uma carga confiável de informações e munido de ferramentas para se expressar em escala mundial. De fato, eu vejo os weblogs como parte de uma tendência bastante nítida da Internet, de fortalecimento das aplicações que servem de plataforma descentralizada para a formação de conexões dinâmicas entre pessoas - e-mail, p2p, weblogs, instant messaging. Ao mesmo tempo em que evolui a infra-estrutura onde os indivíduos criam "pontes" entre si de forma cada vez mais simples e integrada, a experiência social descentralizada e colaborativa traz impactos profundos e amplos na forma como os grupos humanos se organizam, causando uma mudança de sensibilidade nas pessoas em relação ao coletivo. Mas estas mudanças são ainda pouco claras.

06- Em alguns casos os weblogs produzem e fortalecem laços. Em outros, não. Acho que esta visão real da esfera pública dependerá muito da evolução da integração dos weblogs, que ainda são apenas páginas web interlinkadas. Eles precisam passar a existir num espaço onde a conversação em tempo real e a mobilização de uma rede de pessoas pode ocorrer de maneira imediata, através da mesma interface. Na Internet, vejo uma espécie de "fronteira de
interfaces": diversos espaços, diversas atividades, fragmentando a dinâmica interativa. Uma esfera pública é um espaço único, onde toda forma de troca de informação pode acontecer. Na Web, hoje, a esfera pública é o somatório de diversos meios, sendo os blogs apenas um deles. Um cruzamento interessante seria weblogs file-sharing instant messaging, sob mesma
interface, plenamente integrados. Uma mesma plataforma para todo tipo de troca de informação. Estou inclusive começando um projeto assim, o Livenodes (www.livenodes.org) - vamos ver no que vai dar.

07- Acredito que sim. Novamente, porque os símbolos são capazes de codificar a experiência de alguém e assim possibilitar uma decodificação desse sentimento... mas essa decodificação bem-sucedida depende especialmente da condição sensível do leitor. Para um coração frio, quase tudo é indiferente. Uma coisa que eu fico pensando às vezes é em encontrar o weblog perdido de alguém que morreu no anonimato. Será que os relatos ali contidos não me dariam pelo menos uma parcela de compreensão do que essa pessoa viveu? Eu não ficaria tocado de alguma maneira?

08- Eu acho que ela é verídica, apesar de ser bastante pontual sobre uma ferramenta de uso tão genérico. De fato, no estágio atual e levando em consideração a afirmação do Grumet, eu sinto que os weblogs funcionam hoje mais como um repositório isolado da voz do que como um espaço dinâmico que interagem facilmente com as vozes dos interlocutores que ali se reúnem de vez em quando.

09- Eu leio o Dave Winer, e o Doc Searls. Eu acabei sendo cativado por eles basicamente pelo conhecimento técnico apurado bastante útil que eles compartilham através de seus weblogs, pelas propostas e reflexões inovadoras e bem sintonizadas com as tendências da Internet, e por um ar casual bem humorado e desprendido com relação ao que eles dizem. Eu particularmente gosto de gente que acaba sendo séria, mas que essencialmente preferem os prazeres da vida às complicações e picuinhas do convívio humano organizado. Eu me sinto mais livre com relação ao meu ofício. Como se ele fosse muito mais uma diversão do que um fardo.

·        Frank Schaap: autor do fragment.nl

Frank Schaap [92] é holandês residente da cidade de Amsterdam. Formado em Antropologia pela Universidade de Amsterdam, Frank segue atualmente na academia onde é aluno do programa de Doutorado pesquisando a construção de identidade e gêneros em diversos ambientes online. Autor do livro “The Words That Took Us There - Ethnography in a Virtual Reality”, Frank mantém em seu domínio Fragment.nl uma parte dedicada aos seus estudos sobre Cibercultura, Identidade e Gêneros. A imagem abaixo ilustra seu weblog.

 















Suas respostas:

01- Aprecio assuntos sobre os quais não tenho muito conhecimento ou sobre os quais eu não teria pensado em escrever, organizados pelo traço ou ‘pensar’ característico de uma pessoa em especial, a qual eu não preciso necessariamente conhecer. Isto imediatamente explica porque eu leio determinados blogs e não outros: eu tenho que gostar do modo como o autor do blog que leio se expressa, como ele organiza seus pensamentos, que tipo de assunto ele opta em escrever.

02- A maioria dos weblogs que leio tendem a ter um foco específico – uma vez que eles podem ter o foco em qualquer coisa acerca de qualquer assunto: webdesign, CSS [93] , jogos, academia) – o que eu espero encontrar? Uma voz especial articulando questões sobre até mesmo qualquer coisa que esteja vagamente relacionada ao foco ou assunto central de seu weblog. Mas eu também não me importo (ocasionalmente) em ler posts completamente ‘nada a ver’ ou totalmente fora de foco.

03- Minha rotina diária consiste em percorrer cerca de quinze favoritos [94] (de weblogs) dos quais eu gosto. Mais do que quinze blogs é o que eu posso lidar diariamente, embora eu ainda siga alguns links citados nestes quinze weblogs e acabe ainda passando mais tempo lendo. Ocasionalmente eu adiciono um novo blog à minha lista e ocasionalmente eu também removo um weblog que havia listado. Dessa forma minha rotina diária é meio pragmática.

04- Acho que eu nunca parei pra pensar sobre isso na verdade. Há tantas formas diferentes em que as pessoas escrevem seus weblogs que acredito que você realmente não pode delimitar o processo ‘geralmente encontrado nos weblogs’. Eu não acho que exista um ‘geralmente’, embora exista algumas associações. Sobre sensibilidade e lado humano nos autores? Até onde isto é possível percebo que, alguns eu admiro de alguma forma, alguns eu apenas acho interessante, e alguns são mais acessíveis e nos deixam mais confortáveis que outros. No entanto, a menos que eu tenha uma interação mais íntima com esses autores, online ou fora da rede, isto assemelha-se muito com o gostar ou o admirar de um escritor de livros de ficção ou o colunista de um jornal (com uma certa distância).

05- Bem, eles ainda não transformaram. O que é realmente importante é que muitas pessoas não estavam interessadas em HTML/webdesgin, tem um modo simples de expressar suas idéias (de seus interesses) através da web que é acessada por muitos. A forma como eu vejo isso, é que daqui algum tempo, alguma coisa apenas baseada em folhas de estilo se tornará o estilo padronizado de publicação na web. Os weblogs de certa forma comandam este desenvolvimento e são um exemplo singular nisso.

06- Por muitas razões não irei me importar de escrever isso aqui: eu acho que a idéia de ‘esfera pública’ de Habermas é, se não errada, ao menos otimista demais. Se você realmente tem um público como autor de weblog, e nisso eu quero dizer - nem que seja 12 assíduos leitores -, eu acredito que há uma integração melhor entre o autor e os leitores. Mas isto é um grande ‘se’. E sim, este tipo de interatividade acontece e eu vejo acontecer no meu weblog por exemplo. Quando isso acontece, eu aprecio muito, especialmente quando alguém realmente se engaja numa das minhas argumentações porque isto ajuda com que eu articule melhor meus pensamentos, idéias, teorias, opinião.

07- Eu realmente acho que não entendi sua pergunta. Weblogs são weblogs e por isso não podem ter sensibilidade, mas weblogs podem mostrar a sensibilidade de seus autores.

08- a-) Acho que um weblog pode fazer isso, assim como uma carta, uma ligação telefônica, ou e-mail faz.

b-) Absolutamente.

c-) Isso é o que em grande parte os weblogs fazem, embora não seja meu principal interesse.

d-) E sim, ocasionalmente eles provém alguma informação em seus weblogs que fazem você dizer "uhmmmm!?!"

Eu realmente não acho que estas quarto observações constituem uma perspectiva. Elas carecem de uma maior estrutura teórica.

09- Dave Winer: eu parei de ler o weblog dele porque ultimamente eu: a-) não gosto de ler apenas pequenas citações e b-) fiquei entediado com suas irritações pessoais e brigas mimadas.

Mena Trott: eu leio o blog dela uma vez por semana. Eu uso MovableType em meu weblog e como ‘interesse profissional’ eu gosto de observar o que os criadores da ferramenta que utilizo estão fazendo e pensando na vida pessoal deles, e/ou em relação a empresa e produto deles.

Anil Dash: Um dos bloggers ‘originais’ hummm,  leio seu weblog principalmente para saber as manchetes e sobre o que está acontecendo na blogosfera.

Como eu me sinto quando eu leio o blog deles? Ehm, nada em especial. Algumas vezes eu leio algo interessante ou ‘empolgante’, mas é o conteúdo da mensagem que me interessa e me deixa empolgado e não o fato de eu estar lendo aquele determinado weblog.

Ao estudar a realidade e os métodos de observação da organização da sociologia como ciência, Cristina Costa, sobre os modos de ver de um cientista, afirmou:

O nosso olhar não vê a realidade à nossa volta em sua essência, mas distingue nessa mesma realidade aqueles fenômenos cujos conceitos nos são dados pela cultura. É assim que organizamos os dados sensíveis da realidade de maneira a ser possível reconhecer elementos significativos. Sem essa educação do olhar, a visão do real seria impossível, e  nossa percepção apenas registraria dados aleatórios e caóticos. (Costa 1997, p. 208)

Ao que partimos para a análise de nossas entrevistas, pretendemos analisar dados observados, de modo que não signifiquem simplesmente ‘olhar’, mas discriminar e discernir. Nos propomos a separar aquilo que é circunstancial e periférico daquilo que é essencial e diz respeito ao nosso problema investigado.

 


5      A (há) vida na blogosfera

Blogs are so human that you pass by them on the web like you walk down your workplace: for some people you like to say hi, hug and ask for their kids, others you  just wave your hand or nod with your head, and others you just pass by because either you don’t like them or are afraid to know them better.

Gustavo Fischer

 

Quando Chuck Olsen iniciou seu projeto, ele planejou a realização de um documentário independente atento ao movimento dos Weblogs. Seu público alvo, além dos bloggers ou blogueiros como são conhecidos no Brasil, era a massa - a sociedade de massa - pressuposta consumidora de cultura. Sua amostragem partia de problemáticas detectadas por Chuck como pesquisador. Seu foco, em um objeto delimitado, estava na transformação das expressões pessoais, na ação democrática dos weblogs como mídia, na tensão entre revelação e anonimato, na dinâmica de relações (romance, amizade, familiar, profissional), na conexidade, e na blogosfera como um organismo humano. Como todo bom pesquisador, Chuck tinha que estar preparado para lidar com uma grande variedade de opiniões e com descobertas inesperadas. Sendo muito freqüente o surgimento de novos problemas que não haviam sido previstos no início da pesquisa e que se tornaram mais relevantes do que questões iniciais, ele tinha de ser capaz de reorientar seu estudo.

No dia 25 de maio de 2003, Chuck nos escreveu contando sobre seu encontro com Nora Paul [95] , autoridade na Universidade de Minnesota. Chuck disse: “ao conversar com ela ficou claro que eu deveria fazer uma versão do Blogumentary destinada a estudantes de jornalismo e pesquisadores acadêmicos”.

Ao realizar seu projeto, agora, previsto para dois públicos-alvo, Chuck conta que seu foco não precisa necessariamente mudar. Ele diz que certamente um maior número de entusiastas e de cabeças ‘pensantes’ na área dos Weblogs aparecerá em sua versão ‘educativa’, mas que “mentes singulares não deixarão de aparecer e nos ensinar”.

Assim, ao que nos aproximamos do final do trailer do Blogumentary de Chuck, podemos assistir mais uma vez a singularidade dos pensamentos de Seth Appel. E então ouvimos ele dizer: “eu prevejo que um dia as pessoas saberão o que são blogs. Elas ficarão obcecadas pelos blogs que mais a entretêm ou com os que mais se identificam, ou com aqueles que representam um alivio para as emoções ou angustias que elas também sentem”.

5.1    A incorporação de referências à investigação empírica

A Internet engendra fenômenos que vão bem além da comunicação no sentido estrito do termo. Mais do que um meio de comunicação, ela oferece suporte à um espaço simbólico que abriga um leque muito vasto de atividades de caráter societário, e que é palco das práticas e representações dos diferentes grupos que o habitam. William Gibson, um dos expoentes da literatura Cyberpunk [96] , cunhou o termo "Ciberespaço" justamente para designar esse espaço. Em "Neuromancer" (1984), boa parte da ação transcorre em seu interior. Case, o protagonista, em meio à uma série de venturas e desventuras próprias ao gênero de ficção científica, entra e sai da Matrix, a rede de computadores onipresentes que constituem o Ciberespaço, no interior da qual relaciona-se com outros humanos e com máquinas, vivendo uma realidade virtual, mas não por isso menos "real".

Um dos temas fetiche dos anos 90, a virtualidade via de regra é associada à uma "não-realidade", concepção que não é das mais adequadas para pensarmos o Ciberespaço. Dentre os autores que se dedicam ao estudo da metafísica dessa nova dimensão, Lévy (1997) argumenta que o virtual não se opõe ao real, mas sim que o complementa e transforma, ao subverter as limitações espaço temporais que este apresenta. Desta forma o virtual não seria o oposto do real, mas sim uma esfera singular da realidade, onde as categorias de espaço e tempo estariam submetidas à um regime diferenciado.

A intenção de reprodução ou criação de 'mundos virtuais realistas' não é estranha às propostas para o futuro da World Wide Web. A partir do desenvolvimento de estratégias para a incorporação de modelos digitais tridimensionais a Web Sites, dentre as quais a linguagem VRML [97] é ainda a mais bem sucedida, um número cada vez maior de modelos de existentes do mundo dito 'real' e simulações de uma determinada versão de nossa experiência cotidiana do espaço vem sendo publicado na WWW [98] .(Fragoso 2002, p. 5-6)

Fragoso ainda afirma que:

A percepção da espacialidade do ciberespaço, no entanto, independe da inclusão de modelos tridimensionais à World Wide Web. Assim como apreendemos a espacialidade do mundo físico a partir da percepção das relações que os vários elementos que o povoam estabelecem entre si, também o espaço da Web se revela para os usuários a partir da identificação das relações estabelecidas entre as várias 'páginas' [99] (idem, p. 6)

Essa relação entre as várias páginas as quais Fragoso menciona poderia ser refletida ao objeto de nossa pesquisa, os weblogs, visto que cada um deles encontra-se em uma página. Desta forma, poderíamos dizer que as relações dos nossos usuários/receptores está naquela estabelecida por cada um deles ao que ‘viram páginas’, acessam outros weblogs, seguem links postados pelos autores dos weblogs que estão lendo, e ao que fazem analogias e criam metáforas.

Quando em seu artigo “Espaço, ciberespaço, hiperespaço” Fragoso nos diz que “a analogia com a percepção da espacialidade urbana é bastante clara”, poderíamos recuperar exemplos como:

Jish: É como cruzar com um velho amigo na rua e parar num bar para beber alguma coisa e papear sobre o que anda acontecendo com a vida dele.”

Cheyenne: É como tomar um café com alguém com quem você simpatiza através de um monitor e um teclado”.

Daniel: eu não sinto que estou lendo um weblog, mas "chegando atrasado" para uma conversa íntima. Existe uma pessoa do lado de lá. Por isso, no fim das contas eu acredito que lemos os blogs por uma curiosidade típica da espécie, uma vontade de ouvir as pessoas, descobrir os sentimentos que elas estão experimentando e talvez até participar dessa experiência com ela, se a expressão dela nos contagia de alguma maneira.

A rede promove a diluição das fronteiras geográficas mas também a geração de novos territórios, identidades e práticas sociais. Lugares e Não lugares. Mas até que ponto os browsers e os sistemas de pesquisa de informação poderiam ser entendidos como não-lugares?

Segundo Fragoso, Bolter (1996) identificou ainda outras características comuns ao espaço urbano e ao ciberespaço, particularmente o caráter coletivo de sua instituição, a heterogeneidade e os modos de apreensão dos dois fenômenos.

Cada habitante persegue seus próprios interesses, e ainda assim as atividades de todos combinam para direcionar e tornar viva a cidade como um todo. O ciberespaço, ou pelo menos a Internet, possui esta qualidade. Talvez nenhuma outra metáfora disponível possa capturar como a da cidade a tensão através da qual a ação individual conduz a um senso coletivo de coerência. (Bolter apud Fragoso 2002, p.7)

Os weblogs, passam a ser concebidos pelos seus utilizadores como espaço de pesquisa de informação, de encontro e de partilha, ou seja, os weblogs geram uma espacialidade inteiramente abstrata que é reforçada pelas metáforas de navegação e de site (lugar). Gera-se uma proximidade que muitas vezes nada tem a ver com a proximidade geográfica, mas sim com a proximidade representacional que promove a idéia de comunidade. É interessante refletir sobre esta característica nos weblogs, enquanto novas formas de publicação na web, promovendo a uma escala considerável, o estatuto de comunidade para os seus utilizadores.

Se observamos a clareza com que cada um de nossos entrevistados busca nos weblogs que lêem, afinidades e assuntos de seu próprio interesse, não poderemos deixar de pôr à questão, se não estaríamos face a uma virtualização do espaço público concreto com a tendência para a multiplicação das formas de mediação.

As comunidades virtuais são feitas de pessoas e do que elas realmente querem, daquilo que realmente lhes interessa, sem constrangimentos prévios ou póstumos (…) As novas tecnologias dão a cada um de nós um poder sem precedentes de construir o nosso próprio mundo de referência, de encontrar as pessoas que realmente nos interessam, estejam onde estiverem, de aprender e ensinar sobre aquilo que realmente queremos que faça parte da nossa vida.(Soares 1999, p.75)

A idéia de comunidade virtual também nos remete à ‘esfera pública’ mencionada na questão seis de nossa entrevista. Sobre ela ainda poderíamos observar que a rede por si mesma incita à idéia de território organizado, mas que diante da questão da territorialidade da Internet numa tripla dimensão nos faria pensar: 1) a Internet como um território simbólico abrangente associado à idéia de globalidade, 2) as implicações da flexibilidade territorial que a Internet permite sobre o território geográfico e socio-político, 3) a representação de territórios individuais e/ou privados na Internet, quer a nível grupal quer pessoal. Esta tripla dinâmica, que se entrecruza, faz com que a constituição de uma rede internacional global tenha promovido a oportunidade de afirmação das identidades locais através da sua presença nessa mesma rede, passando a ter visibilidade global. As identidades locais afirmam-se pela especificidade simbólica, iconográfica, ideológica tanto quanto pela língua (apesar do inglês ser a língua dominante).

David: A web é a nova esfera pública, mas não aquela que traz consenso.

Chuck: A web é indubitavelmente o lugar onde as mais importantes conversas sobre política, sociedade, economia e ética estão acontecendo, e isto é uma esfera pública de alguma forma.

Daniel: Acho que esta visão real da esfera pública dependerá muito da evolução da integração dos weblogs, que ainda são apenas páginas web interlinkadas. Eles precisam passar a existir num espaço onde a conversação em tempo real e a mobilização de uma rede de pessoas pode ocorrer de maneira imediata, através da mesma interface. Na Internet, vejo uma espécie de "fronteira de interfaces": diversos espaços, diversas atividades, fragmentando a dinâmica interativa. Uma esfera pública é um espaço único, onde toda forma de troca de informação pode acontecer. Na Web, hoje, a esfera pública é o somatório de diversos meios, sendo os blogs apenas um deles.

A Internet poderia ser vista como um espaço de espaços onde o público e o privado, o local e o global, o material e o virtual coabitam. Isso poderia conduz à geração de novas sociabilidades e reorganização das sociabilidades tradicionais. Porém, o usufruir desta nova dinâmica é um exercício individual que no campo prático ainda depende de ferramentas. O que podemos destacar dessa forma é o que este exercício individual tem realizado atualmente, e mais especificamente, nos weblogs.

Quando muitos de nosso entrevistados comentaram sobre a interação do leitor com o autor, muitos deram exemplos de ferramentas que, disponibilizadas não apenas nos weblogs (como os comentários por exemplo) mas também na Internet (mensagens instantâneas e trocas de e-mail), fomentam uma maior inter-comunicação. De forma a esta inter-comunicação acontecer, antes de mais nada é preciso pensarmos no processo de interpretação dado ao conteúdo de um weblog, que de forma física, não deixa de ser um texto [100] .

Quando um texto é produzido não para um único destinatário mas para uma comunidade de leitores, o autor sabe que esse texto será interpretado não segundo suas intenções mas segundo uma complexa estratégia de interações que co-envolve também os leitores, juntamente com a competência destes em relação à língua como patrimônio social. (Eco 1990, p.84) 

Um texto ‘aberto’ continua, ainda assim, sendo um texto, e um texto pode suscitar uma infinidade de leituras sem, contudo permitir uma leitura qualquer. É impossível dizer qual a melhor interpretação de um texto, mas é possível dizer quais as interpretações erradas. (idem, p.81)

Quando aplicamos isso à Internet ao observarmos o conteúdo ‘texto’ disponibilizado no ambiente dos weblogs deparamo-nos com o processo de interpretação individual mediado por cada um. A possibilidade de dizer onde e quais interpretações foram erradas é detectada através dessa inter-comunicação dos leitores/receptores ao dialogar (Jish), ao debater (Chuck), ao argumentar (Frank) e ao redefinir um processo de comunicação (Anil), sendo todos a partir destas ferramentas disponibilizadas (como já dissemos) tanto nos próprios weblogs como na Internet. Outra questão relevante é a observação de que estes leitores/usuários também coexistem como autores/usuários, e que é partir do enraizamento e projeto existencial de cada um deles, que cada um explora a informação e as teias relacionais que os weblogs lhes permitem. O local (material e/ou representacional) será sempre o microcosmos a partir do qual se pode compreender a dinâmica social. Para alguns isso incitará um laço de familiaridade (Chuck), para outros poderá ser laços de amizade (Jish, Cheyenne, Daniel, Frank, Anil), e noutros ainda laços profissionais (Matthew Mullenweg, Daniel, Scott, Anil). Por sua vez, o que podemos observar em todos é o caráter de rotina, onde a relação deles com o meio (primariamente a internet e consequentemente os weblogs) reconfigurou os afazeres diários incitando novas práticas de consumo de mída, onde através de uma rotina na leitura diária de weblogs os usuários/leitores partiram em busca daqueles que maior (ou melhor) contextualizam o que lhes interessa.

Valverde chama à isso a questão dos modos como podemos interpretar a relação entre sensibilidade e tecnologia.

Quando dizemos que nossa sensibilidade, nosso ‘modo de ver’ as coisas, foi modificada, precisamos esclarecer o caráter da modalização considerada. É certo que o modo humano de ver as coisas é diferente daquele dos pássaros e dos macacos, e estes não captam o mundo do mesmo modo que os peixes. Da mesma forma, falamos também em diferentes modos de percepção humana, tendo em vista a diversidade de época, localização, nacionalidade, faixa etária, situação econômica, etc. (Valverde 2001, p.91)

O que se anuncia aí, portanto, é a idéia de que as diferentes formas de sensibilidade são diferentes padrões de recepção adquiridos pelos hábitos introduzidos por diversos meios, sustentados em diferentes tecnologias. E, além disso, que a recepção facultada pela sensibilidade compreende a mediação tecnológica e depende, portanto, da relação física com alguma interface; ou seja, é sustentada pela percepção sensorial, mas não se reduz a ela, uma vez que opera num ambiente discursivo e segundo uma disposição (um pathos), que se traduz em determinados usos e costumes. (idem, p.94)

A diversidade de experiências comunicativas na rede vistas através dos weblogs aponta para um modelo multifacetado de comunicação, que engendra modos distintos de comunicar ao mesmo tempo que demonstra como tais modos tendem a se expandir e a se transformar.

Apesar de todos os desenvolvimentos tecnológicos permanece a necessidade de uma crítica da idéia de progresso e a necessidade de re-pensar de forma holística, integrada e ecológica o desenvolvimento da humanidade face à avalanche de novas produções na rede.

Assistimos a um dos raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, isto é, de um novo relacionamento com o cosmos, inventa-se um estilo de humanidade.(Authier e Lévy 1998, p.129)

Re-pensar o modelo de desenvolvimento da humanidade implica, também, refletir sobre os bens imateriais e os espaços imateriais. Estes terão, possivelmente, um contributo crucial numa dinâmica de desenvolvimento em que os conhecimentos e os valores culturais são elementos estruturantes do processo.

 

Talvez o ciberespaço seja um dos lugares públicos informais onde possamos reconstruir os aspectos comunitários perdidos quando a mercearia da esquina se transforma em hipermercado. Ou talvez o ciberespaço seja precisamente o lugar errado onde procurar o renascimento da comunicação, oferecendo, não um instrumento para o convívio, mas um simulacro sem vida das emoções reais e do verdadeiro compromisso perante os outros. Seja qual for o caso, precisamos de descobri-lo o mais rapidamente possível.(Rheingold  1996)

O ciberespaço propõe mudanças, mas são os usuários (sociedade) que fazem uso desse meio. É certo que não se deve ter uma expectativa demasiado elevada quanto à mudança porque a velocidade da mudança social é substancialmente mais lenta que a mudança do meio. A mudança social não acontece, constrói-se. Ela pode estar sendo construída (de modo singular) através das relações mediadas [101] pelos weblogs, mas é real o pensar de um de nossos entrevistados (Daniel) quando este nos diz:

A informação é um mecanismo que catalisa uma construção sensível no interior das pessoas. Acredito que num mundo onde o hábito de ler sucumbiu em parte à apreensão direta das situações simbólicas, nem todos temos uma sensibilidade sintonizada com a decodificação abstrata do texto. Mas aqueles que o tem, com certeza conseguem captar o sentimento do outro, talvez numa profundidade até maior.

O conhecimento que a humanidade possui da realidade é uma representação dessa realidade, sempre foi uma representação, mas com os novos mediadores essa representação complexifica-se. Esses novos mediadores são agora autores/usuários que simultaneamente existem como leitores/usuários. Dessa forma, a liberdade total das falas encontrada no âmbito dos weblogs (mencionada por nossos entrevistados) poderia ter um papel significativo no enraizamento sociocultural na elaboração da concepção da realidade, a partir de mediadores globalizantes.

Os computadores não seriam objetos culturalmente tão poderosos como o são se as pessoas não estivessem a apaixonar-se pelas suas máquinas e pelas ideias que as máquinas veiculam. (Turkle1997, p.71)

A Internet tem uma gramática socio-técnica própria, tanto quanto cada produto dela o tem. Ao observarmos os weblogs, isso lhes dá a especificidade baseada na convergência e na interoperabilidade, envolvendo novas linguagens, novos comportamentos e novos simbolismos. Esta realidade promove uma nova gramática organizacional que terá que ter em consideração que os media são sempre híbridos - técnicos, sociais e culturais - e que os usos não são apenas tecidos por uma lógica racional, mas também emotiva.

 

 

considerações finais

Desejando compreender o processo de recepção em weblogs nos dispusemos a estudar aspectos como interpretação, sensibilidade e interação desse processo. Queríamos, ao enfrentar um novo meio de comunicação, a partir do meio virtual,  aprender com eles. Mas não é fácil enfrentar o novo quando uma observação muito próxima tende a interferir e a se sobrepor diante do que se nos apresenta.

Ao pesquisarmos o tema dos weblogs tivemos uma série de dificuldades decorrentes da própria novidade do objeto de estudo. Percebemos que a nossa maior dificuldade  centrava-se no fato de estarmos enfrentando algo novo,  lançando mão de recursos já utilizados em pesquisas anteriores. Se o objeto de estudo já era novo, a lacuna quanto aos estudos de recepção no meio era ainda maior. Vygotsky (1991), estava mesmo certo ao dizer que um novo objeto de estudo exige novos métodos. O uso da internet, suas novas produções, está exigindo de nós uma nova abordagem. Aquilo que chamávamos de observação participante teve que se adaptar ao novo suporte. Ficou claro então a necessidade de focalizar os receptor/usuário pela observação participante  usando a mediação da própria internet. E assim ao estudarmos incitamos nosso próprio laço afetivo com o objeto. Se pensarmos pelo ponto de vista de que não amamos pessoas mas sim as coisas que fazemos para mediar nossa vida com esses indivíduos, aprendemos a partir deste estudo em weblogs a amar coisas que os seres humanos fazem para mediarem-se conosco. Os weblogs são apenas uma das vias, mas são objetos mediadores.

Aparentemente a comunicação no espaço público tradicional está doente: as pessoas queixam-se da falta de comunicação entre os elementos da família e da comunidade. Passamos progressivamente a viver num regime de solidão organizada no qual a comunicação e as trocas simbólicas parecem estar enfraquecidas e, com elas, a idéia de comunidade também parece encontra-se bastante fragilizada. Talvez até a idéia de comunidade não esteja enfraquecida e apenas estejamos a passar por uma fase transitória em que essa idéia, e respectivo sentimento associado, estejam a sofrer um processo de metamorfose. E nessa metamorfose coabitem modos tradicionais de comunidades e novas formas emergentes do cenário tecnológico da comunicação. Ainda assim, poder-se-á pôr a questão: Quem se sente membro de uma comunidade de bairro, de paróquia, etc.? Apesar de não existir uma resposta unívoca a esta questão, ela faz refletir sobre uma certa diluição de alguns modos de comunidades locais baseada na presença e a afirmação progressiva de comunidades baseadas em laços proporcionados pela geografia da rede (uma página está apenas a um clique de distância de uma outra página). É neste cenário que as trocas simbólicas no âmbito da internet, vistas a partir dos weblogs desta pesquisa, parecem recriar a comunicação onde ela parece estar moribunda, ou seja, a nível interpessoal e a nível da geração de laços sociais potenciadores do surgimento do sentimento de comunidade. Deste modo, o mundo virtual das práticas nos weblogs surge como uma nova oportunidade, como possibilidade de comunicação aparentemente segura e sem conflitos, enquanto que no mundo real os conflitos se multiplicam e a insegurança se instala. Quem toma a iniciativa de encetar diálogo com o estranho que se encontra da mesa do lado, no café? E quem hesita estabelecer diálogo com o desconhecido que está da sala de um bate-papo onde se acaba de entrar ou que tem o seu e-mail numa web-page que trata de um assunto que também nos interessa ou nos despertou curiosidade? Pelo que nossos entrevistados responderam, webloggers são esses ‘quem’.

Nietzsche  entendia já que os nossos instrumentos de escrita intervinham no nosso pensamento e McLuhan entendia que o medium é a mensagem. O numérico, para se instalar, supõe uma ruptura forte com os suportes tradicionais e materiais. Com esta ruptura desaparece a figura do autor, o que se desenha no horizonte é o fim do estilo e a virtualização do real. Há pontos de vista mais otimistas. Para esses, a  verdadeira revolução da Internet vai consistir em libertar uma fantástica criatividade coletiva, no sentido em que a produção de sentido através da interatividade coletiva precede qualquer emergência de avaliação, qualquer vontade redutora para instaurar uma intencionalidade unívoca. A Internet vai permitir que o insconsciente colectivo chegue à expressão (Walter Benjamin fala da "câmara que inicia ao inconsciente óptico como a psicanálise ao inconsciente pulsional"). Mas continuamos a braços com a questão da técnica e os seus malefícios. O formato de publicação disseminado através dos weblogs permitiu a  qualquer pessoa expôs na rede o que julgasse melhor. Num campo aberto, o trigo sempre mistura-se com o joio, e talvez o joio nos faça notar a diferença entre muitos e entre todos. Continuamos como Heidegger a interpretar a técnica de maneira positiva, como o modo próprio que tem o nosso tempo de manifestar a verdade, e portanto, a manifestação do ser. Uma observação muito próxima ao nosso objeto pode ter nos impulsionado a idolatrá-lo e a transcrevê-lo de modo, muitas vezes, deslumbrado. A verdade é que a técnica des-cobre a verdade que sem o seu auxílio permaneceria escondida, re-coberta.

A técnica ou a metodologia experimentada nesta pesquisa nos levou a duvidar de sua capacidade e performance investigativa. Alguns de nossos entrevistados não responderam uma de nossas questões e dessa forma nos perguntamos até que ponto estávamos aptos à pesquisar sem nos valer da questão do bias.  O fato é, nosso pensamento ao formular uma questão como: “os weblogs podem ter uma sensibilidade humana?” foi romântica.

Vivemos como se o poder da escrita mudasse de mãos. Como se a natureza do texto tivesse mudado. De fato, o texto produzido por um weblogger mediado por um computador não é senão a materialização instantânea de um processo de produções virtuais. É por isso um texto eminentemente "frágil", sem a autoridade do texto estabelecido. A leitura proporcionada pelos weblogs é uma leitura do fluxo, do instantâneo, do móvel, do universal, do interativo. Os weblogs põem em causa sobretudo a componente material do signo, o que leva vários autores a falar de imaterialidade.  Esta desmaterialização confere ao texto em weblogs características que não apresenta em nenhum outro suporte. O texto em weblogs é: móvel, engendrável, instantâneo, interativo, organizado e deslocalizado.

A leitura e a escrita tornaram-se uma aventura experimental no âmbito dos weblogs. As escritas unívocas e as escritas híbridas entraram em fusão. As primeiras constituem aqueles modos de interpretação da realidade que privilegiam, em princípio, os fenômenos onde a unidade e a perfeição surgem como valores máximos e, em última análise, a 'pureza' ou a eficácia do estilo e das idéias. Pelo contrário, as escritas híbridas demandam, assumidamente ou não, a impureza, o contato coincidente com o contrato, a contaminação através da comunicação.

Os weblogs de certa forma poderiam ser vistos como um produto de seus leitores. Um usuário/autor acessa sua ferramenta de atualização e escreve o que tem em mente e isto torna-se um texto quando a interação com seus leitores ativa alguns dos significados. Por tornar-se texto, subentende-se que será lido, comunicará e proporcionará a produção de sentidos. Assim, nessa forma de pensar, Frank Shaap não estava errado ao afirmar que não existe sensibilidade nos Weblogs. Ao responderem ou não nossa questão de número sete, nossos entrevistados nos guiaram a perceber que um weblog só pode ser ‘sentido’ enquanto texto, quando tiver leitores. Ser weblog pressupõe a interação com o leitor. Desta forma, o conceito de “nova sensibilidade” foi, e é fundamental para se estudar o processo de recepção em weblogs. Essa sensibilidade poderia ser entendida como o sistema de representação social que produz e faz circular um conjunto de significados coerentes sobre uma determinada área do conhecimento. Poderíamos dizer que o processo de recepção em weblogs compõe uma “estrutura de significados”. Tal estrutura nada mais é do que o repertório de cada um que interfere na produção de sentidos da mídia. O fato de a mídia ter mensagens de múltiplos significados é intencional para abranger, com uma única mensagem, a leitores diferentes, com conteúdos diferenciados.

Nosso trabalho não poderia ser concluído de forma a tecer novas teorias, novos comportamentos e novas tendências aos estudos da recepção. Podemos finaliza-lo indicando aspectos de transição e mudanças, e afirmando que o indivíduo receptor realmente atua como fonte geradora de conhecimento aos estudos empíricos nesta área. Os indivíduos receptores em weblogs promovem o pensar, pedem diálogos, gostam de debater, discutir e argumentar. E eles também têm suas justificativas. A percepção humana em cada um deles promulga reações sensíveis que tanto podem promover a interação quanto simplesmente promover um adicionar de um link novo em seus favoritos. Como nos disse Monclar (2001), “as diferentes formas de sensibilidade são diferentes padrões de recepção” e como nos disse Daniel, “nem todos temos uma sensibilidade sintonizada com a decodificação abstrata do texto. Mas aqueles que o tem,
com certeza conseguem captar o sentimento do outro, talvez numa profundidade
até maior”.

Se houve falhas no nosso percurso investigativo, também houve na compreensão das falhas, um novo modo de aprender com o objeto pesquisado. Cada um de nossos entrevistados descreveu suas razões ao lerem os cinco weblogs que apresentamos no capítulo dois de nossa pesquisa. Cada um deles, singularmente, percebe o ‘outro’ a partir de como o ‘outro’ é percebido por eles. Modelos como identificação e buscas de interesses foram notados. Conversa escrita. Escrita/conversa. Oralidade/Escrita. Escrita/Oralidade. Realmente não dá para polarizá-las. Na cibercultura se concretiza a dialética do oral/escrito. É o que Levy (1997) chama à atenção ao afirmar que a emergência do ciberespaço tem um efeito tão radical sobre a pragmática das comunicações como  teve em seu tempo a invenção da escrita.  Esta abriu um espaço de comunicação desconhecido pelas sociedades orais possibilitando a tomada de conhecimento de mensagens geradas por pessoas distantes, que não partilhavam da mesma situação, não estavam em interação direta. Nesse sentido  a escrita nos weblogs poderia ser vista como algo descontextualizado. Hoje os weblogs nos levam de volta a essa situação anterior à escrita, porém numa outra escala e numa outra órbita na medida em que a interconexão e o dinamismo em tempo real das memórias em linha, faz os parceiros da comunicação partilharem novamente o mesmo contexto, o mesmo hipertexto vivo. Ler um weblog é ao mesmo tempo escrever e a escrita se torna leitura. E todo weblog é uma escrita em potencial.


Referências Bibliográficas

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Obs: O último acesso de todos as referências bibliográficas citadas neste trabalho data junho de 2003.

 

 
Anexo 1 – Entrevista original em inglês

I'm writing to ask that you collaborate in the first Brazilian study, both scientific and academic, in the field of reception specifically focused at Weblogs.

For this purpose I have developed a survey, which is included below. The purpose of this survey the users and readers of Weblogs. Only individuals who access and read Weblogs are being asked to participate. Specifically, I am contacting the people on the list below.

This study is being conducted for academic purposes by researchers at the University of Vale do Rio dos Sinos. The final paper, which will be the thesis for my BA in journalism from this university, is due on June 13th. I would sincerely appreciate your help in returning your answers as soon as possible.

01 - In your opinion, and taking into account you particular context, what is the main reason for accessing Weblogs?

02 - What type of content do you expect to find in weblogs (a specific topic? general material? common interests?)

03 - If you have any particular routine in your daily Weblog reading, why do you believe it exists? What reasons bring you to read a specific Weblog on a daily basis?

04 - What are your feelings regarding specific Weblog authors? Do you feel that the writing process usually found in Weblogs facilitates the communication of human feeling?

05 - Do you think that weblogs have transformed the landscape of the world wide web? If so, could give me your opinions regarding how and why this is so?

06 - When argumenting ideas associated to virtual communities, internet scholars often relate the net to the idea of the 'public sphere', as developed by Jurgen Habermas (see, Habermas 1989). In an ideal public sphere, citizens would discuss issues of concern and arrive at a consensus for the common good. do you think weblogs bring greater engagement and interaction between the reader and the author? Does this form of interaction occur with you? If so, how would you describe it?

07 - Can weblogs have a human sensibility? If so, how and why?

08 - Andrew Grumet said that: 'a weblog can thereby provide  

a-) a way to feel closer to friends and family members who may be geographically distant,

b-) a way to locate and to stay current on the activities of professional peers or people who share a common interest,

c-) a range of firsthand accounts and armchair perspectives on current events, as they happen,

d-) a voyeuristic glimpse into the life of someone that interests you. '

What are your opinions and thought regarding this perspective?

09 - Let me point out some names: Anil Dash, Dave Winer, Doc Searls, Matthew Haughey and Mena Trott. If any of these happen to be weblogs you usually read, could you explain the reasons why you read them and what do you like about them. How do you feel when you read them?

I'm doing typical research: reading, interviewing, thinking and organizing. When my work is complete, my resulting thesis will be an investigation into the reader's receptivity to weblog content in an empiric scientific way. I would be very appreciative if you could answer these questions in a personal, human, sincere and critical fashion: human virtues which should not be ignored.

I'm trying to find the human factor that makes readers constantly return to the same weblogs for updates. I'm trying to articulate how readers have become a part of the weblog process, where we have all been given voices, and can now be heard by anyone, anywhere.


Anexo 2 – Respostas originais da entrevista

----- Original Message -----

From: "David Weinberger" <self@evident.com>

To: "'carmela.toninelo..'" <carmela@meltoni.com>

Sent: Sunday, May 18, 2003 3:21 PM

Subject: RE: researching receptivity to weblog content

 

01- To read various viewpoints on a topic of interest. To keep up with friends, including friends you know only through their weblogs.

02- Weblogs are a rhetorical form. The content can be anything.

03- I read through a weblog aggregator that makes it easy for me to click through my daily list of weblogs. Blogs get put on that list because they're interesting to me. I read them every day because they're on the list.

04- Weblogs are generally written in the "voice" of the author which by itself conveys much feeling.

05- It's given voice to many people who otherwise would have found it too difficult or annoying to update a web site every day by hand. The groupings of weblogs, through weblogrolls, creates webs of interest on top of the WWW. Weblogs have been a crucial place to find the analysis of news.

06- The Web is a new public sphere, but not one that brings about consensus. Weblogs are a part of that. Because they weblog entries tend to be longer than contributions to discussion boards, etc., weblogs have made it easier for slightly more thoughtful commentaries to posted and exposed to public comment. Weblogs bring no greater engagement between reader and writer than other forms of writing. But their persistence -- the fact that the same author writes a blog every day for years -- builds a unique relationship between writer and reader.

07- I don't know what you mean. If I had to guess: A big reason we are reading weblogs is because they are written in human voices.

08- Yes, those are all true.

09- I read these three frequently. Here's why: Winer: News items, strong opinion, and because I know everyone else is reading him and I want to know what others are talking about. Searls: News, reflection, and he's a friend of mine.

 

 

 

----- Original Message -----

From: "Jish M." <jish@jish.nu>

To: "carmela.toninelo.." <carmela@meltoni.com>

Sent: Sunday, May 18, 2003 10:41 PM

Subject: Re: researching receptivity to weblog content

 

 

Hi Carmela! As promised, my perspectives are noted below ...

Jish

01- For me, weblogs are a great way of keeping in ouch with my friends who I do not seen on a daily basis.  I am able to keep in touch with what's going on in their lives, and read what they're occupying their time thinking about. In addition, I get to peek into the lives of several interesting people that I do not know or have never met.

02- I enjoy reading weblogs that links to interesting websites as much as I enjoy weblogs that are extremely personal in nature and contain little (if any) external links.

03- A few items will draw me to a weblog. First, if a trusted friend enjoys a particular weblog, I'm almost cerain I will enjoy it.  Second, I always enjoy reading the weblogs of friends.  Third, I find myself drawn to weblogs which deal with some aspects of technology (mainly "gadgets").  Lastly, if I found some content which interested me in a particular weblog, I'm likely to return.

04- Not necessarily.  Many weblog authors simply state facts as a reporter would and do not offer insight or commentary.  However, I am drawn to sites which do offer a "human touch" along with the content.

05- The interconnectivity and virus-like infectiousness that weblogs have offered to the web have indeed drastically transformed the landscape of the www.  It's amazing to think that I would be able to witness a life-changing event and spread the news on my weblog to (potentially) millions of readers within a matter of hours.

06- Weblogs allow a closer engagement of reader and author than is offered in many other media.  As an example, a reporter who publishes articles in the newspaper oftentimes has a "feel free to e-mail me with your feedback" note at the end of her/his article.  If the article were in a "traditional" weblog format (allowing readers to make their comments public), it would be
possible for many readers to share feedback not only with the author, but also to read feedback of fellow readers. This form of interaction occurs both on my own weblog, and also occurs when I visit weblogs of friends.  Oftentimes, I will see that a same core group of people will make comments when visiting a particular weblog, in some ways, this forms a community of readers.
07- Certainly, they can.  An example of a weblog where I do not detect the author's feelings or personality is Gizmodo.  This is not a bad thing, in fact it is one of the weblogs I find myself re-visiting many times.  When visiting other weblogs, it is often the case that the author's (and
photographer, in the case of photoblogs) deepest sentiments shine through.

08- a - this is one of the reasons why I primariy find myself most connected to the weblogs of friends that I have around the world.  For myself, I am able relate/sympathize with the personal feelings of friends more deeply than I am able to do with persons who are unknown to me.
b - I mentioned Gizmodo above ... even though I find myself drawn to technology weblogs to read about the latest gadgetry on the market, Gizmodo is an example of "one stop shopping", where I can get the highlights of recent releases and discusssions.

c - people often equate weblogs with journalism, and the reverse is also debated.  Personally, I agree with Andrew's assessment of "armchair perspectives".  The majority of opinions expressed/daily reports on weblogs are not designed or destined for mass consumption.
d - a common comment about my weblog "I like to read about what's going on in your life" ... this comes from both friends and from strangers.  In some ways, it is very creepy, but in an another way it feeds the exhibitionist in all of us.

09-  The weblogs I tend to frequent are those of friends or close acquaintances. It's not always on account of the fact that I deem their content to be superior to other sites, I'm simply most interested in catching up on what they have to say/have said.  It's like bumping into an old friend and sharing a drink while catching up on recent events.  For this reason, I follow the weblogs of Matt, Mena and Anil.

 

----- Original Message -----

From: "Matthew Mullenweg" <m@mullenweg.com>

To: <carmela@meltoni.com>

Sent: Monday, May 19, 2003 3:57 AM

Subject: Re: researching receptivity to weblog content

 

01- I enjoy reading weblogs because I like the personal slant on events they give. Instead of reading bland and generic writing, I get a lot of personality. I'm also on the web quite a bit, and my thirst for new content is satisfied by the frequent update schedule most weblogs have.

02- I'm really open to anything. Personally, I'm more likely to follow a blog with a technology slant though, as that interests me more. I have stopped reading several blogs because their focus went too far from what I am interested in.

03- I go down my sidebar on photomatt.net that changes order based on who has updated. I click through about a dozen of these and open them in new tabs, then  I read through them, sometimes following links and leaving comments. I do this several times a day, usually whenever I have a free moment. Certain blogs I'll look at when they update even if I'm busy because I enjoy their content so much. Some I can think of like this: http://tantek.com/log/ http://simon.incutio.com/ http://www.zeldman.com http://diveintomark.org/

04- Absolutely. Like I said before, it's the voice of the author that is one of the main attractions to me. There are one or two can think of (such as Mark Pilgrim and Dave Winer) that are pretty obnoxious at times, but overall most of the bloggers I've met or corresponded with have been very nice people.

05- I think the nascent revolution of personal publishing through blogging tools is going to change everything. You can already see the effects in Google rankings and such.

06- I think most blog authors would agree that about 20% of their audience is an active participant, leaving comments and following links. Zeldman had a postabout this in the last week or so.

07- I'm not sure what you mean by this.

08- a. When several of my friends moved away for college I helped them set up blogs and it has helped us keep in touch quite a bit. It's a passive way to keep up with what's going on in their lives, and it invites more communication. People used to do this by setting up forums or such in the past, but this is a more elegant method. b. Yes. Few people in my city (of 3 million people) share the same sensibilities and interests regarding web development that I do, so having an entire community (or "tribe" I've heard it called) online is very reassuring and fufilling. c. This is rare, at best. But when it happens, it can be great. See Salam Pax. d. Again, absolutely.

09- Dave Winer: He's an asshole who gets a lot of things wrong, but occasionally he stumbles across something that can really help the community. He's a better coder than communicator, and despite his thoughts I respect him. Sometimes his writing really pisses me off, but he has good links so I visit pretty regularly. Matt H.: Nice guy who does great coding and community work. He is sometimes off-point on his blog, but it's usually excellent. Anil Dash: One of my favorites. His writing is really excellent, his posts insightful, and his style entertaining. Almost every post is a gem and though he doesn't usually deal with web development topics I am generally interested in I follow his blog religiously. His daily links is great, and I follow it quite a bit as well. I hope this helps, if you'd like me to expand on anything specific in these brief answers let me know.

----- Original Message -----
From: Scott Gowell
To: carmela@meltoni.com
Sent:
Monday, May 19, 2003 8:36 PM
Subject: RE: researching receptivity to weblog content

 

Hey, Got this from Jish .... hope this helps:

 

01. They provide a new type of content. More than just online journals or diaries, Weblogs give a place for people to share their thoughts (no matter how personal), their experience (no matter how embarassing), and their view (no matter how politically incorrect).

 

02-  Anything. I have a pretty eclectic blogroll, and pride myself on that. Topics very from the mundane and everyday, to the very technical.


 
03- Some of my the blogs I read chronicle people's daily lives. As everyday gives a new chapter in their saga. Some sites just give me a kick to read, always funny and that can make my day.


04- I know that in my blog I can talk about things that I wouldn't even talk to my family about, and it is freeing.

 

05- Certainly. I was just interviewed by Wired about the change of Google with the advent of blogs, and in that interview I said that the web is an entirely different place than it was 4 years, 2 years or even 1 year ago. Providing content on a main site was unheard of.


06- Blogs, and more importantly blogging software allows for a great inter-communication of the blogger and the reader. Trackback and Pingback especially.


07- A blog has the same sensibility as the blogger, and the way they interpret and reveal themselves through the blog.


08- All 4 of those points exemplify the reasons why both bloggers blog (one side of the dialogue) and blog readers read (the opposite side).


 09- Winer talks about blogging and that really intrigues me, as do Mena and Doc. Matt is on the same level for reading as they are developers (as are Mena, and Anil). Their content and their practices keep me coming back.

 

----------------------------------------

 

Scott Gowell

sgowell@sinekow.org

 

----- Original Message -----

From: "cheyenne" <cheyenne@gnome-girl.com>

To: "'carmela.toninelo..'" <carmela@meltoni.com>

Sent: Tuesday, May 20, 2003 12:21 AM

Subject: RE: researching receptivity to weblog content

 

Here you go. Sorry to be late I was out of town and was having a hard time getting mail sent out. I don't do these interviews well at all I must warn you :)


Good luck

Cheyenne

 

01- The ability to interact with a variety of people from all lifestyles and peer into their lives, and glean from their words.

02 - I find everything in weblogs ranging from humor to tech support

03- I read daily because I've formed relationships with blog owners/readers so it's a cup of coffee with someone via a monitor and keyboard

04- I consider most of the blog owners I visit to be friends and we communicate in that manner

05- Weblogging has opened up a new avenue in communicating. Where people in today's society are working on an average of 50 to 60 hours a week, raising families, pursuing activities etc the weblogs have made it possible for us to interact with each other and not feel cut off from the world. Weblogs serve many purposes but communication is the main one.

06- I allow comments so it greatly heightens my interaction with my readers and has allowed me to form friendships in person as well as online

07- Of course. The first step was the fact that blogs were created now we're branching out into meeting those we blog with.

08- I agree with all that Mr. Grumet stated as I've written that myself before. I believe we all have a voyeuristic side to us naturally and blogs have somehow let us tap into that.

09- I read Dave W, Doc's, and Mena's because I've met them all in person and I glean tech  information from them as well as personal.

 

----- Original Message -----

From: Chuck Olsen

To: carmela.toninelo..

Sent: Saturday, May 24, 2003 6:23 AM

Subject: Re: researching receptivity to weblog content



Carmela,

My apologies taking so long... here's my best shot on a late nite!

 

01- 1) To be better informed and learn new things 2) To be entertained

02- Generally political news/opinion, technology news/opinion, and details of personal lives. Increasingly more specific areas traversing occupations (eg law, education) and interest (quilting, cooking, The Matrix) and beyond.

03- Yes, my routine is first to see what the blogosphere is buzzing about, via DayPop, Blogdex, Corante, BuzzMachine, Anil Dash, and so on. I also visit my local friends' blogs daily. All of that usually gives me a wealth of reading on many topics for informational and entertaining. Given my documentary I am trying to keep up on the world of blogging specifically, as well as track who is going to my blog and video and what they're saying.

04- In some instances yes. For example, a Minnesota woman "Plane Layne" at http://plainlayne.dreamhost.com/ is very personal and deals with her relationship troubles. Her journal evokes feeling and emotional response from her viewers including myself, at times. She is shy about her feeling in person I believe, at least she is hesitant to meet with me for Blogumentary, but find it easier to communicate via her blog.

05- Yes, completely. Blogs make it easy for anyone to publish, but more importantly, enables those thousands of publishers to link and communicate, form common bonds around common interests, debate politics, etc. It is also evident from Google searches and such - it's like tapping into a microcosm of humanity.

06- Sometimes. Some are more interested in polarizing arguments, and the web makes that easy. But it also makes it easy to present information and form a consensus if that's what you want to do and are willing to listen in real life. Hopefully virtual communities keep the polar extremes in check, because there are enough people to moderate and present information. I've had political debates on blogs, they seldom reach consensus but I have experienced compromise and seen issues in a new light because of interacting with someone with differing views. Eg - Michael Moore at the Oscars. Someone says he's a fraud and a liar and should keep qiuet, I disagree but learn that he has fudged the truth in his recent work -- so there's give and take. The web is undoubtedly THE place where the important political/social/economic/ethical conversations are happening, it is the public sphere in some form.

07- It's almost a requirement to have a human sensibility. Even if a blog is cold an technical, it likely reflects the nature of the person. Many blogs literally feel like an extension of the person, full of personality and life.

08- a-) yes, or even if they're not geographically distant. i don't talk to my mother much but we email, AIM, and blog. she lives 5 miles away. i interviewed a girl who moved to Thailand for awhile and her blog was the main way of keeping friends and family up to date on her life. b-) absolutely. c-) indeed. Salaam Pax of course the ultimate example. d-) indeed. see Plane Layne above.

09- I read Dave Winer because he is a sentinel voice in blogs and technology, and he's grumpy and funny. I sometimes read Doc Searls for his insight on technology, journalism, and so on. I don't read Mena Trott's blog unless someone links to her -- but I'm very fond of the Trotts and I'm always interested in what's on Mena's mind when I run across it, as one of the wunderkind behind Movable Type. I'm quite fascinated with the Trotts, they are shy and nerdy at first look, yet whipsmart and creative and influential. Anil always has amazing links, and I've talked to him on several ocassions so I like to keep up with him. His actual blog entries are very hit-or-miss. I also just like the guy, he's funny. And I want to stay on top of what he's doing with TypePad. Oops, forgot Matt Haughey. I read him a lot, we have a lot of interests in common and he's at the forefront of blog journalism and technology. He reminds me a lot of my high school friend Andy, nerdy and cool and matter-of-fact. He offered to let me sleep in his spare room if I go out west, which is secretly hugely gratifying because it means he trusts me and likes my project. He is so revered in MetaFilter - like a god - and I used to think he was kindof a snobbish asshole. But after meeting him I realize he's paaaainfully shy and can come off as flippant online. In fact he is really very nice and I feel a little sense of kinship or comraderie with him.


----- Original Message -----

From: "Matthew Haughey" <matt@haughey.com>

To: "carmela.toninelo.." <carmela@meltoni.com>

Sent: Sunday, May 25, 2003 4:42 PM

Subject: Re: i come here because i need you

 

 

I've been extremely busy and haven't gotten to these questions until now,  so sorry about that. My answers are below. If there are followup questions, I can't guarantee I'll have any time to answer those.

01- To keep up with friends, find links to new things, and read news.

02- I expect to find just about anything. Text, photographs, songs, whatever  the author feels like contributing.

03- Most of the blogs I read are written by people I know or at least have met.

04- Most of the weblogs I read are written by personal friends, so I guess they  replace human contact, so I guess that they communicate human feeling.

05- Yes, they've turned the web back into a writing environment (in the  read/write computer sense). In the early days of the web most people that  used the web also created content for it, but in the late 90's, it became  almost entirely read-only, with people treating the web as if it were interactive television. Blogging reminded everyone that anyone can write  anything they want and still find a place for it on the web.

06- Weblogs do increase the interaction between reader and author, but I think  most of that is perception. If you read my site for years and years you, as  a reader, may think you know me, but I may know nothing about you.

07- I don't understand what you mean here.

08- It sounds like everything I described in an earlier question. I agree with  all points.

09- From that list, I read Mena Trott, and Anil's sites regularly because they are personal friends and I like to keep up on what  they are doing. I read Dave Winer from time to time to see what he's writing about the industry and the rest I read whenever someone in my list of daily weblogs points at them. I let my favorite blogs filter the rest for me to some extent.

 

----- Original Message -----

From: "Anil Dash" <anil@dashes.com>

To: "'carmela.toninelo..'" <carmela@meltoni.com>

Sent: Sunday, May 25, 2003 6:06 PM

Subject: RE: i come here because i need you

 

Carmela,

Sorry for the slow reply. My answers are below, and good luck with your research.

01- I think the primary reason for reading weblogs is that people can gain access to a wider variety of opinions and information to inform the way they see the rest of their world.

02- Many of my favorite sites are topic-specific and really passionate about one area, but a lot of the ones I visit most frequently are run by personalities that I find interesting, and that interest rubs off on whatever topic they're discussing.

03- Once or twice a day I go through and check updates on all the sites I read, and then I skim through others on an infrequent basis in between. Typically a weblog that I read daily will have requent updates, a strong personality, and a good variety and depth to the writing.

04- I absolutely think the weblog medium demands more of a human touch and a personal presence than other formats that aspire to be more anonymous or dispassionate. I tend to feel like the sites I read most often are written by friends, even when they're not people I've met in person.

05- I think they've restored a lot of people's original views of how the web would develop, with participation by a wide variety of people in creative ways, networked together and easily accessible. The dot-com boom transformed the web into something it wasn't naturally good at, and perhaps weblogs are helping it return to normal.

06- Weblogs are by far the most interactive mass medium. I am constantly getting comments, emails, and instant messages from my readers, and am in touch with other weblog authors through the same media, and it informs my writing and encourages me to refine my communication. It also has given me confidence to push my audience a bit in terms of subject matter or communication style, since the people who get in touch reinforce that they're willing to accommodate ideas and expression that are unusual or novel.

07- I think they must, in order to succeed. Having a humanity to a weblog is what distinguishes it from merely writing for other media and having it appear on the web.

08- What are your opinions and thought regarding this perspective? I'd say weblogs provide all of these benefits and more. Weblogs can often act as a definitive resource on an obscure subject, or as the common meeting point for a larger community that might not even include the weblog's
author. Those are fantastic and unexpected emerging trends rising out of the weblog realm.

09- I tend to read Dave Winer when others link to him. I think he has a lot of interesting contributions to make to technology, but that the non-technical content on his weblog (and the conversations around the technological contributions) tend to distract and detract from the value of the key
messages. Doc Searls' site I check frequently, and it tends to mirror (or lead) trends that I read on other sites. I see it as a barometer of the popularity of ideas in the weblog realm, and as a gauge of their popularity. Matt Haughey's site is a way that I keep in touch with a friend. A lot of the ideas he writes about are topics that would come up in conversation with him on a personal level, and I get to see a much broader scope to his ideas and a deeper level of thinking applied to them when he fleshes out an idea for his weblog.

Hope I've answered the questions to your satisfaction. Do let me know what results you come up with, and I'd love to see your research online when it's done!

Anil

 

----- Original Message -----

From: "Anil Dash" <anil@dashes.com>

To: "'carmela.toninelo..'" <carmela@meltoni.com>

Sent: Monday, May 26, 2003 4:43 AM

Subject: RE: oops!

 

Heh, I do read Mena's weblog. It's hard for me to comment on, as she is my boss and we are good friends, so I don't know how much I would say other than it's good to see someone using a weblog as a human side to their professional career. There seems to be a conscious effort to have the
personal, human side of the company represented through her personal weblog, and I think that will be a model in the future as it becomes more common for executives to have weblogs. It's also unusual for any successful businessperson's public persona to be so self-deprecating and humorous.

And yes, I would expect that Ben and Mena are too busy to get to your survey, unfortunately. Tomorrow (today! It's late!) is a holiday here in the U.S. so they will probably be enjoying their last day off for quite a long while. I'm sure you understand.

Thank you so much for the kind words about MT and TypePad, both here and on your site. We're extremely excited and I'm glad we can finally offer Brazilian bloggers a better service than Globo's. ;)

I've some friends who speak Portuguese, so maybe even if you can't get it translated, I'll have access to your paper. And in the worst case, I love the sound of the language, so I'll have them read it in its native language and then just pretend that it says wonderful things about me. We Americans
might be ugly in our ignorance about the rest of the world, but it makes it that much easier to charm us with anything foreign and novel.

Good luck with your paper! Talk to you later.

Anil

 

 

----- Original Message -----

From: "Frank Schaap" <fts@myrealbox.com>

To: <carmela@meltoni.com>

Sent: Tuesday, June 03, 2003 6:45 PM

Subject: Re: researching receptivity to weblog content

 

Hi Carmela,

Apologies for replying so late to your request, it's been very busy here.

01- I enjoy reading about things that I don't know about or wouldn't have thought about, organised by and through the idiosyncracy of a particular person. This immediately explains why I read certain weblogs and not others: I have to like the way the author of the weblog, the personality of/behind
the weblog, expresses him or herself and the way his or her mind works, what kind of stuff they come up with.

02- Most weblogs I read tend to focus -- well as far as weblogs can be said to focus on anything -- around certain topics: webdesign, CSS, games, academia. What do I expect to find there? A particular voice articulating issues that are at least somewhat vaguely related to the central topic of their weblog,
but I don't mind the occasional out-of-the-blue, completely off-topic posting.

03- My daily routine consists of clicking on about 15 bookmarks for weblogs I like. More than 15 weblogs is more than I can deal with on a daily basis, although I regularly follow links from those 15 weblogs to new/other weblogs and spend some time there. Occasionally I add one new blog to the list and occasionally I remove a blog from the list. So my daily routine is at least in part governed by rather pragmatic reasons. Why do I sometimes add a weblog to my daily list? Hmm... Occasionally I find a weblog that I really like straight away. That has to do mostly with the voice of the author and the topic of the weblog. Btw, I _do_ think that part of the 'personality' of the weblog lies in its design. If I find such a weblog, I add it to my 'intermediate' list and I check out the weblog on a more or less daily basis for a week or two weeks. If I still like the weblog, I move it up to my daily list.

04- I haven't really thought about this very much. There are so many different ways in which people write weblogs that I think that you can't really talk about the writing process "usually found in weblogs". I don't think there is a "usually" here, although there certainly commonalities. Feelings towards weblog authors? As far as this is possible, some authors' online presentation/presence I like, some I admire in a way, some I find interesting, some more approachable than others. However, unless I have had a more personal interaction with these authors, online or offline, it's more or less the same kind of liking or admiring as you'd have for a novelist or a columnist in a newspaper... with a certain distance.

05- Well, transformed... not quite yet. What is really important though, is that many people who are not interested in HTML/webdesign now have a fairly simple way of expressing their ideas on the internet, accessible to many. The way I see it, is that in some time, some sort of CMS (content management system) will become the default way of publishing something on the web. Weblogs in a way lead this development and are a very particular form of it.

06- For many reasons I don't care to state here, I think Habermas's idea of the public sphere is, if not wrong, at least too optimistic. If you actually have a public as a weblog author, and I mean at least a few dozen daily readers, not just some passers by, then I do believe that there is a greater engagement between the author and the audience. But this is a really big if. I, however, don't believe this actually helps realize/actualize something like a Habermassian public sphere. Sorry.

Yes, this kind of interaction happens through my weblog, occasionally. When it happens, I like it, especially when someone really engages my argument, because it helps me articulate my thoughts, theories, opinions better. Ordoes that sound to Habermassian? ;)

07- I don't really understand your question here. Weblogs are weblogs and therefor cannot have sensibilities, but weblogs can and do show the sensibilities of their authors.

08- a-) geographically distant, I think a weblog can do that, just like a letter, phone call or e-mail can do that. Certainly. b-) Absolutely. c-) This is what many weblogs do, but these are not my main interest. d-)Ah yes, occasionally provide some information on their weblogs, that makes you go... "uhmmmm!?!"

I really don't think that these 4 observations constitute a perspective.They lack a theoretical framework.

09- Dave Winer: I stopped reading this weblog, because ultimately I a) don't like to read so many short remarks in a row and b) got bored of his personal peeves and pet fights.

Mena Trott: I read this weblog about once a week. I use MT myself and as a 'professional' interest I like to see what the creators this software are doing/thinking personally and/or in relation to their software.

Anil Dash: One of the 'original' bloggers... hmm, I mainly read him weblog, or rather I just scan the headlines, to see what's going on in the blogosphere.

How do I feel when I read their weblogs? Ehm, nothing special. Sometimes I read something interesting or exciting, but it's the content of the message that makes me interested or excited, not the fact that I am reading it on this particular weblog. I don't get all fuzzy about the fact that I'm reading someone's weblog... it's not like we're all revolutionaries and that we are creating a better world by reading and writing weblogs.

I hope everything goes well with your research. I would love to hear about your results... I just hope there will be something in English (or Dutch ;) because my Spanish is not very good. But I must say that you have a really beautiful website, even though I can only make some informed guesses about
what you're talking about there :)

Cheers, Frank.

 

 

- Não anexamos o original de Daniel Pádua por este constar em seu original, respondido em português, no capítulo quatro desta pesquisa.

 




Anexo 3 – Blogumentary

Os arquivos encontrados dentro deste CD referem-se a versão original do primeiro trailer do Blogumentary disponibilizado na rede, bem como a versão 1.1 assim chamada por Chuck Olsen. Os demais arquivos de vídeo nos foram fornecidas por Chuck e referem-se a partes ainda não editadas do documentário.

 



[1] Mais de um quarto de século atrás, o co-fundador da Intel, Gordon Moore, observou que o número de transistores em uma dada peça de silício dobraria a cada dois anos. Apelidada de "Lei de Moore", essa observação descreve um crescimento exponencial na densidade de transistores, resultando no aumento do desempenho e na redução dos custos.

[2] Lévy, Locke, Weinberger, Searls e Levine.

[3] O neologismo 'ciberespaço' (cyberspace) é atribuído a W. Gibson. Também pai do movimento cyberpunk na literatura, em seu notório livro “Neuromancer”, de 1984. Segundo ele, o ciberespaço é uma "alucinação consensual, que pode ser experimentada através de softwares especiais".

 

[4] O personagem Dilbert foi inventado por Scott Adams, cartunista, que durante nove trabalhou como economista da gigante de telefonia americana Pacific Bell – emprego que abandonou para se dedicar em tempo integral a Dilbert, um engenheiro de 30 anos que trabalha numa empresa californiana de alta tecnologia. Prefere os computadores às pessoas. Trabalha fechado em cubículos, veste roupas sem graça e a sua barriguinha revela as longas horas de trabalho sedentário.

 

[5] Em toda a narrativa desta pesquisa estarei experimentando uma metodologia própria. Este experimento será apresentado no início de cada capítulo em formato literário/factual. Contextualizando a problemática que Chuck Olsen teve todo o processo da produção de seu documentário, explorarei de forma textual alguns momentos capturados por ele afim de potencializar o entendimento humanístico ao qual esta pesquisa se propõe.

[6] http://chuckolsen.web.aplus.net/ (acessado em 05 de janeiro de 2003)

[7] http://chuckolsen.blogspot.com/2003_05_18_chuckolsen_archive.html#200315407 (acessado em 20 de maior de 2003)

[8] A revista Wired em sua edição de dezembro de 1999 (‘Log On’ de Michael Stutz em http://www.wired.com/wired/archive/7.12/eword.html?pg=7) apontou Jorn Barger não apenas como o cunhador do neologismo, mas também como o criador do primeiro Weblog. O programador e webwriter Dave Winer, discorda. Segundo ele, o primeiro weblog foi o primeiro website, de Tim Berners- Lee no CERN. Outro apontamento refere-se ao Professor de Jornalismo Online da UNISINOS, José Meira da Rocha, que consultado durante a coleta de dados para o primeiro artigo sobre weblogs no Rio Grande do Sul, também apontou Tim Berners-Lee como o primeiro Weblog. Este artigo foi publicado na quarta edição da Revista Eletrônica Viés produzida pela antiga AGEXJOR dessa mesma Universidade (http://www.meltoni.com/vies/_04/kunst.htm). Timothy J. Berners-Lee, inglês, formado na Universidade de Oxford, Inglaterra, é o criador da da World Wide Web (Web). Tim BL era engenheiro do Laboratório Europeu de Física de Partículas, em Genebra, e estava procurando uma maneira de colocar ordem em suas anotações. Imaginou uma espécie de caderneta em "hipertexto". A idéia era criar um programa que pudesse "fazer todas as associações que um ser humano é capaz de lembrar". Criou um programa em que as palavras de um documento poderiam abrir conexões para outros arquivos no seu computador, sendo possível recuperar essas associações através de um número, trazendo à tela do computador o documento relacionado. Disso, ele pensou em incluir também informações que estavam no computador de outras pessoas, fazendo associações para os respectivos arquivos. Através de seu computador, abriu seu arquivo para o mundo inteiro. Tim BL permitiu que todo mundo se associasse com ele, fazendo uma permuta de documentos. Segundo sua idéia, não haveria nem um banco de dados central, nem um administrador, e muito menos um esquema de hierarquia. Foi Tim Berners-Lee quem elaborou o sistema de códigos HTML, que se tornou a linguagem da web, e também o sistema de endereços que permitem localizar cada página da rede; foi ele que elaborou as regras para interligação desses documentos em computadores ligados à Internet. E foi ele também quem inventou o browser para navegação na rede. Com isso, estava pronta a World Wide Web, possibilitando introduzir a ordem no até então caótico espaço cibernético, e prevista para ter um crescimento ilimitado.

[9] Do inglês ‘pré-surfer’, no sentido de surfar/navegar pelas páginas da web.

[10] Conjugação do verbo ‘to log’: ‘logs’ (aspas do autor).

[11] Ligações ou passagens por meio das quais se pode saltar para outra parte: do mesmo documento (outra parte na mesma página), de outro documento (página, arquivo de imagem) do mesmo site, de outro documento, em qualquer computador da rede.

[12] Diário de bordo onde os navegadores registravam os eventos das viagens, principalmente aqueles ligados ao clima. No caso do weblog, portanto, trata-se de uma abreviatura de web log, onde web representa a própria Internet, e log caracteriza os registros que são realizados pelo usuário weblog.

[13] Páginas da Web escritas em linguagem de computador HTML - Hypertext Markup Language.

[14] Content Management System – programa de software que permite gerir o weblog automaticamente, bastando apenas inserir novos artigos.

[15] Muitas vezes chamados de ‘webloggers’, ‘bloggers’, estes novos ‘entusiastas da web’ passaram a ser reconhecidos como autores editando suas próprias páginas. Blood ainda em seu ensaio sugere que enquanto os emails fizeram de todos os usuários ‘escritores’, os weblogs fizeram de todos os seus usuários ‘publishers’ -  do ingês, editores.

[16] http://www.blogger.com – O serviço de buscas Google comprou a empresa de tecnologia Pyra Labs, responsável pela ferramenta de criação de blogs Blogger.com, em fevereiro de 2003. No Brasil, o Blogger.com fez um acordo com a Globo.com em agosto de 2002 para a criação do Blogger.com.br, serviço gratuito que oferece mais recursos que a ferramenta norte-americana.

[17] Filter-style weblog.

[18] Fundado em junho dee 1998, o Diarist.Net foi o primeiro site dedicado inteiramente aos diários online.

[19] Narradores de fatos ou de sentimentos.

[20] Conforme já mencionada, a Pyra é a criadora da ferramenta Blogger.

[21] Refere-se à leitura e disposição dos weblogs já mencionada anteriormente. Lêem-se em regressão temporal.

[22] Dicionário de palavras, frases e abreviações relacionadas a computadores e a tecnologia da Internet. Acesso gratuito: http://www.webopedia.com

[23] Do inglês, localizador uniforme de recursos, representa o endereço a ser digitado e encontrado na Web.

[24] Do inglês “to blog”, refere-se a gíria ‘blogar’.

[25] Do inglês, postar.

[26] O termo 'blogosfera' (blogosphere) foi criado por William Quick: “Eu proponho um nome para o ciberespaço intelectual que nós bloggers ocupamos: Blogosfera. (...) a palavra surge da filosofia grega em logos: na filosofia pré-socrática, o princípio governando o universo ou raciocínio humano sobre o universo; entre os sofistas, as argumentações relativas à razão ou apenas as argumentações humanas.” (QUICK 2002, iw3p.com/DailyPundit/2001_12_30_dailypundit_archive.html#8315120 acessado em 20 de março de 2003)

[27] Utilizando a justaposição das palavras ‘blog’ e ‘documentary’ (documentário), Blogumentary não apenas é o nome real do documentário produzido por Chuck como a forma que está sendo utilizado em referências na Internet.

[28] Jeff Jarvis mantém um weblog em seu domínio, www.buzzmachine.com. Seu weblog é famoso dentro da categoria ‘blogs de guerra’ que a partir dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, bem como com a Guerra do Iraque se disseminaram notavelmente na Web.

[29] Como jornalista, Jeff Jarvis é crítico de televisão para o TV Guide and People, criador do caderno Entertainment Weekly, editor dominical do New York Daily News e colunista para o jornal San Francisco Examiner.

[30] Ver em http://www.advance.net/

[31] Jeff acredita que a segunda foi o encontro e o desenvolvimento dos usuários/autores enquanto que a terceira, ainda em desenvolvimento, dá-se com a audiência.

[32] Professor Cated. Jub., DCC/UNL, Investigador CECL

 

[33] Não encontra-se atualmente registos de pesquisas de recepção no âmbito nos weblogs, devido a isso, a metodologia teve de partir de uma construção própria.

[34] Hugh Miller, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Nottingham Trent (UK), utilizou para seu estudo obras de Erving Goffman ao que este pesquisava as construções dos indivíduos em interações face-a-face com outros.

[35] “The Presentation of Self in Eletronic Life: Goffman on the Internet” – ensaio apresentado na Conferência Embodied Knowledge and Virtual Space, em 1995 em Londres.

[36] Uma melhor abordagem sobre a pesquisa qualitativa deste trabalho será apresentado no capítulo quatro. Mas é importante salientar o curto espaço de tempo existente para a realização deste trabalho, que especificamente teve influência sobre o contexto sociocultural seletivo dos weblogs que apresentamos. Visto o meu trabalho (pessoal e profissional) técnico em web e webdesign desde 2000 grande parte da minha experiência no ambiente dos weblogs poderia ser visto como uma ampliação no campo de observação e de coleta de dados desta pesquisa. Dessa forma, o importante era conhecer/conhecendo, entender com profundidade as ocorrências por que passam os grupos de audiência dos weblogs e detectar um específico grupo a ser analisado. Acredito que apesar do curto espaço de tempo para o desenvolvimento deste trabalho, a minha presença na rede permitiu delinear um bom grupo em potencial. Assim espero.

[37] Para esta seleção foram pesquisados um total de 48 weblogs.

[38] Ver em http://www.userland.com/

[39] Mediante instalação de um software (programa) que representaria a funcionalidade da ferramenta no computador utilizado.

[40] Ver em http://www.news.harvard.edu/gazette/2003/04.17/13-blogging.html

[41] Rede de cafés americana.

[42] http://chuckolsen.blogspot.com/2003_05_04_chuckolsen_archive.html#200242759 (acessado em 5 de maio de 2003)

[43] A série Sopranos é produzida pelo canal de TV por cabo nos EUA (HBO). O seriado se passa em Nova Jersey, na costa leste dos EUA, onde o mafioso Tony Soprano está desiludido com a perda de poder da máfia. Com a pressão de seus familiares (tanto mulher e filhos como a gerência da máfia), ele começa a sofrer de crises de ansiedade. Preocupado com a situação, Tony procura um psiquiatra as escondidas para não ser ridicularizado pelos companheiros.

[44] Do inglês, pessoa muito hábil com computadores, indivíduo viciado em computador ou internet.

[45] O mais novo produto de publicação pessoal na Web desenvolvida pela empresa Six Apart criadora do sistema Movabletype que funcionaliza mais de 32% dos weblogs na rede.

[46] Ver em http://www.webstandards.org/

[47] The New York Times, Wired, CNET, Reuters, Slate, InfoWorld, BBC News, The Mirror (UK), The Guardian, Yahoo! Internet Life, The Minneapolis Star-Tribune, Network World, Suck, Vault.com.

[48] Site da NBC produzida conjuntamente com a Microsoft. Ver em http://www.msnbc.com/

[49] Ver em http://www.searls.com/srlzgrp.html

[50] Ver em http://www.linuxjournal.com/

[51] Ver em http://www.searls.com/dochome.html#Bio

[52] Projeto na área de Direitos Autorais. Ver http://creativecommons.org/

[53] Ver http://www.metafilter.com/about.mefi

[54] Ver em http://www.haughey.com

[55] Quando nos referimos às Conferências e Eventos na área de Tecnologia, Mídia e Internet dos quais estes cinco autores freqüentemente participam, estamos nos referindo primariamente àqueles geralmente promovidos pela O'Reilly Network,  ao SXSW (Music and Media Conference & Festival) realizado anualmente no Texas, ao Supernova (conferência sobre descentralização da comunicação, softwares e mídia) que acontece na cidade de Washington todos os anos.

 

[56] Seth Appel é americano e mestre em Administração pela Yale School of Management. Ele é ativista desde 1992 e atualmente é diretor do serviço de programas para a American Jewish World Service. Seu weblog pode ser encontrado em: http://thinkabout.org/

[57] Realizado em Viena, na Áustria, o site da conferência pode ser encontrado a partir da URL: http://www.blogtalk.net/

[58] A Teoria Crítica é a que com Adorno e Horkheimer cria o conceito de Indústria Cultural e critica a produção industrial dos bens culturais como movimento global de produção da cultura como mercadoria dentro do sistema capitalista. (Armand e Mattelart, 2001); A Semiologia, segundo Saussure, é a ciência que estuda a vida dos signos no seio da vida social cujo principal sistema sígnico é a língua. Ela ensina em que consistem os signos e que leis os regem. (Santaella, Lúcia; Nöth, Winfried); A Análise do Discurso trabalha com os sentidos relacionados às condições de produção, ou seja, ao contexto em que este está inserido e que influi na sua produção. Estudo etnográfico é o estudo que é a base da Antropologia e estuda como os significados são construídos em determinados grupos. No caso do estudo dos usos da mídia procura-se entender a presença da mídia nos diferentes grupos, vendo que o uso dos significados é atribuído por cada grupo.

[59] Definição retirada do livro História das Teorias da Comunicação de Michelle e Armand Mattelart.

[60] Links externos, que geram acesso à locais fora do site. Apesar de que quando são mal-utilizados não prejudicam a análise do site, sua pertinência não pode ser esquecida no ambiente dos Weblogs. Indicações a sites que não dizem muito (ou nada) com o assunto tratado no weblog que o disponibilizou certamente leva o leitor a se dispersar porém quando a indicação diz respeito a um outro weblog, isso leva o leitor a participar de uma ‘conversa’ entre weblogs.

[61] De “A Experiência da Comunicação” a partir do site de Monclar Valverde em http://www.facom.ufba.br/Pos/monclar/ - acessado em 25 de maio de 2003

 

[62] “A noiva mecânica, o folclore do homem industrial” (1951), “A Galáxia de Gutemberg” (1972) e “Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem” (1974).

[63] A imagem ilustra o post original encontrado no weblog de Chuck a partir do endereço: chuckolsen.blogspot.com/2003_05_25_chuckolsen_archive.html#200351425. Propondo tradução: “Carmela é uma estudante de jornalismo brasileira que está escrevendo sua monografia sobre blogs, e que está usando o Blogumentary como uma espécie de recapitulação ao tema para ilustrar suas questões. Eu não consigo dizer o quão lisonjeiro e gratificante isso é. Se a única utilidade deste meu projeto for ajudar estudantes de jornalismo e pesquisadores, certamente ficarei muito feliz. Eu também recebi um email de um jornalista brasileiro querendo saber tudo sobre meu projeto. Se eu planejo cobrir blogs além da língua inglesa? Jeff Jarvis diria que eu estou construindo uma ponte e ‘flutuando sobre o lago dos blogs brasileiros’. Eu ofereci disponibilizar à Carmela algumas cenas ainda não editadas (...), uma vez que o trailer é muito mais experimental que informativo. E eu sabia o que disponibilizar primeiro (...) Jarvis. Estas são cenas ainda não editadas, mas ele é tão transparente e fluente em tantos aspectos do movimento dos blogs que você juraria que houve script e ensaio. Mas não, são simplesmente relatos de um verdadeiro conhecedor da mídia construindo pontes para a Alemanha e o Irã.”

[64] Exemplo disso pode ser encontrado no que escreveu Chuck em seu weblog sobre o meu usufruto de seu documentário nesta pesquisa. Chuck sobre o meu nome linkou o meu weblog pessoal, linkou o de Anil Dashes e o de Jeff Jarvis. Jeff Jarvis assim também o fez.

[65] Observar centro de pesquisas online sobre internet (americano) no endereço: http://www.nua.ie/surveys/ e http://www.cg.org.br/links.htm (brasileiro).

[66] Para este buscamos ademais painelistas e palestrantes dos já mencionados eventos nesta área, bem como participantes que, por estarem inscritos e presentes em tais eventos, consideravelmente poderiam ser leitores de alguns dos cinco weblogs que nos propomos a estudar. Uma rápida busca de fotos de alguns desses eventos (através do sistema de busca Google) nos levou a alguns desses participantes que nos foram fundamentais para inverter (ainda que pouco) a hierarquia da credibilidade. É sabido que em princípio, o pesquisador geralmente entrevista as pessoas que parecem saber mais sobre o tema estudado do que quaisquer outras. No caso desta pesquisa esta tendência levou-se em consideração o enfoque qualitativo e de seleção já aplicada por Miller em seus estudos sobre as apresentações do ‘self’ na vida eletrônica. Entretanto, o pesquisador não deveria se limitar a ouvir apenas estas pessoas, deveria também ouvir quem nunca é ouvido, invertendo assim esta hierarquia de credibilidade – e dessa forma, apresentaremos leitores singulares encontrados através de uma forma interativa e curiosa ocorrida no processo de coleta de dados para este trabalho.

[67] Observações curiosas a respeito destas trinta e duas pessoas: oito delas responderam agradecendo a atenção devotada ao assunto e ao estudo ao que se desculparam pela inviabilidade de responderem a entrevista/questionário por estarem sem tempo ou viajando no período em que este estudo se construía, dentre essas pessoas citamos: Rebecca Blood, na época viajando para Viena para a primeira Conferência Européia sobre Weblogs e Lawrence Lessing, professor do curso de Direito da Universidade de Stanford que nos retornou atenciosamente explicando que infelizmente não poderia responder devido a sua posição 'na academia Stanford'. Enquanto ainda esperávamos o retorno das dez entrevistas/questionário, contatamos  Gustavo Fischer que já nos era sabido, não lia os cinco weblogs em pesquisa, mas que posteriormente nos retornou com oito das nove perguntas enviadas, respondidas. As respostas de Gustavo Fischer não serão utilizadas neste trabalho a seu pedido, visto que segundo ele sua presença como referencial teórico neste trabalho se difere de sua posição como receptor usuário/leitor de weblogs. Dos cinco weblogs estudados, dois autores nos responderam e suas respostas serão apresentadas.

[68] O texto original da entrevista (em inglês) encontra-se como anexo desta pesquisa.

[69] Segundo um ideal habermasiano de esfera pública, os cidadãos devem ter acesso a toda a informação disponível sobre os assuntos em debate, de modo a permitir a sua participação fundamentada e crítica. Com a disponibilização progressiva de informações em serviços eletrónicos públicos, muitos acreditam que os atores alargam o seu conjunto de conhecimentos, o que origina um cidadão politicamente ativo e mais poderoso.

[70] Doutor pela Universidade de Tecnologia de Massachusetts (Massachusetts Institute of Technology – MIT) em 1999, Andrew atualmente trabalha como freelancer na área de programação de softwares e aplicações para a Internet. Suas observações utilizadas na oitava pergunta de nossa entrevista/questionário foi retirada de seu ensaio “Deep Thinking about Weblogs” (http://grumet.net/writing/web/deep-thinking-about-weblogs.html - acessado em 15 de maio de 2003)

[71] Os originais, escritos em língua inglesa constam em anexo no final deste trabalho. Nove dos dez entrevistados responderam em inglês.

[72] De acordo com a definição de Jake Savin: “blogrolls são uma coleção de links em uma ‘home page’ de um weblog  que apontam aos endereços que estão relacionados de algum modo a seu”.

[73] Do inglês: invenção, máquina, peça de máquina. Neste caso, produtos tecnologicos na área de eletrônicos recém lançados.

[74] Ver em http://www.gizmodo.com/ - weblogs específico sobre ‘novas parafernálias da tecnologia’

[75] Photologs ou fotologs é como são conhecidos os weblogs específicos de fotografia. Onde ao invés de entradas com texto, posts com texto, as entradas e postas dão-se a partir de fotos.

[76] Tantek Çelik é funcionário da Microsoft (Califórnia)

[77] Simon Willison é programador.

[78] Jeffrey Zeldman é designer.

[79] Mark Pilgrim é programador.

[80] A partir de www.zeldman.com

[81] Salam Pax ficou conhecido durante a Guerra do Iraque por seu blog Dear Raed (dearraed.blogspot.com). Salam Pax foi o pseudônimo utilizado por um iraquiano que durante meses escreveu suas impressões pessoais sobre a guerra em seu país. Atualmente ele mantém uma coluna semanal no The Guardian.

[82] Matéria publicada em http://www.wired.com/news/business/0,1367,58838,00.html

[83] A página principal de um domínio na Web.

[84] Algumas ferramentas disponibilizam o utilitário de trackback que funciona caso um autor comente sobre um ‘post’ de um outro weblogger e deseje mencionar no weblog original que o seu também comenta sobre aquele assunto. Funciona a partir de janelas em pop-up que fornecem pequenos campos de preenchimento para um breve comentário que será inserido no weblog do primeiro autor como referência ‘trackback’

[85] O pingback também é um utilitário disponibilizado por algumas ferramentas que informam ao autor do weblog quando um de seus posts foi linkado em outro weblog.

[86] DayPop, Blogdex e Corante são sites que pré-surfam a web indicando os sites diários que estam sendo mais acessados bem como os weblogs mais comentados e os assuntos mais opinados.

[87] http://plainlayne.dreamhost.com/

[88] Na edição anual dos Oscars (2003), Moore foi marcado como o responsável por um dos momentos mais singulares da cerimônia com ser discurso anti-Bush quando foi receber a estatueta de Melhor Documentário. “Tiros em Columbine” é um documentário cheio de ironia, humor negro e cinismo sobre os EUA. Moore mostra como a violência que tanto aflige essa sociedade está ligada à cultura bélica norte-americana. Desde sua colonização - como mostra uma divertida animação inserida no documentário -, os americanos têm medo de tudo. Dos escravos, dos estrangeiros, dos visitantes, de tudo que era diferente. Por isso, cresceram e se desenvolveram aprendendo que seriam protegidos por uma arma de fogo. Moore seleciona uma série de acontecimentos que ilustram sua teoria, como o conhecido Massacre de Columbine, quando Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, armados com rifles semi-automáticos e bombas, mataram 12 estudantes e um professor na escola Columbine, em Littleton (subúrbio de Denver, Estado do Colorado), em abril de 1999.

[89] Refere-se ao livro satírico de Michael Moore, "Stupid White Men - Uma Nação de Idiotas". O livro contém ataques ferozes a George W. Bush, como a carta aberta em que Moore pergunta diretamente ao presidente dos EUA se ele é analfabeto, alcoólatra e criminoso. As grandes corporações, as eleições na Flórida, o sistema judiciário dos EUA e até o partido democrata são outros alvos de seu discurso ferino calcado muito mais no poder das frases de efeito do que no rigor das informações ou da reflexão. O livro foi impresso dias antes do ataque terrorista de 11 de setembro e quase não chegou às livrarias acusado de falta de patriotismo. Em menos de seis meses, já eram 550 mil livros vendidos só nos EUA, mas apesar do sucesso, Moore está longe de ser unanimidade nos Estados Unidos. Desde sua estréia no cinema - com o documentário sobre a saída de uma fábrica da General Motors da cidade de Flint, em Michigan -, o criador do extinto programa "TV Nation" e da série "The Awful Truth" construiu uma imagem pública de defensor dos trabalhadores contra as grandes corporações. Seus detratores - muitos deles da direita republicana - dizem que o escritor/documentarista não passa de uma fraude, já que mora num apartamento de 1,2 milhão de dólares em Nova York e passeia em limusines. Outros apontam erros de informação em "Stupid White Men", especialmente quanto a valores de doações de campanha e gastos orçamentários do governo no setor militar

 

[90] As observações de Anil sobre o weblog de Mena Trott chegaram posteriormente ao e-mail com as respostas das entrevistas. Anil havia esquecido de mencioná-la. Comentamos com ele que sobre nossa tentativa de entrevistá-la, bem como entrevistar Ben Trott (seu marido), ao que Anil nos respondeu em seu e-mail: “infelizmente eu imagino que Ben e Mena estão realmente muito ocupados para dar uma atenção especial à sua pesquisa. Amanhã é feriado por aqui, nos Estados Unidos, então eu acredito que eles provavelmente estarão tentando aproveitar um pouco de descanso, algo que eles não tem há um bom tempo. Eu tenho certeza que você entenderá”. Na mesma madrugada em que Anil nos enviou este e-mail, recebemos  um newsmail da empresa TypePad com os primeiros prospectos de seu mais novo produto. O email foi enviado pessoalmente por Mena Trott.

[91] Daniel foi a única referência conhecida (minha e pessoal) capacitada a contribuir neste trabalho. Daniel é leitor do weblog que mantenho (meltoni.com). Dos leitores que conheço, Daniel é o único que costuma ler weblogs americanos ligados ao movimento dos blogs e assuntos de tecnologia..

[92] Através da indicação de Gustavo Fischer, chegamos a Frank.

[93] CSS: Cascading Style Sheets. No Brasil, conhecido como ‘folhas de estilo’, aplicadas aos documentos e páginas desenvolvidos na web.

[94] Em inglês o ‘bookmark’. A lista de sites favoritos que podem ser salvos e listados nos browsers ou navegadores utilizados para surfar da web.

[95] Diretora do Instituto de Estudos de Novas Mídias da Universidade de Minnesota nos Estados Unidos, Nora Paul também é autora do livro “Computer Assisted Research: A guide to tapping online information”. Ver www.inms.umn.edu/background/whoswho.html

[96] O movimento Cyberpunk, em voga a partir dos anos 80, abrigou também um gênero de ficção científica cuja tematização girava em torno de pessoas marginalizadas em contextos altamente tecnologizados, envolvendo sistemas de computadores, implantes biônicos e engenharia genética.

[97] Virtual Reality Modelling Language, notas da autora

[98] Nota da autora: “alguns exemplos seriam G. Quintieri, 1999, Universal Media "Seaside" Demo, disponível on-line a partir de http://www.livinglinks.com/UniversalMedia/demos/seaside/ [jan 2000]; Canoma Software, VRML Example, disponível on-line em http://www.canoma.com/vrml/latest/hamilton/scene.html [jan 2000] e El País, Museo Virtual De Artes El Pais; 1997, disponível on-line a partir de http://diarioelpais.com/muva/# [jan 2000]”.

[99] Notas da autora: “A expressão 'página' da World Wide Web é adotada significando cada documento identificado individualmente pelos Browsers de acesso à Web”.

[100] É necessário salientar que, seja qual for o âmbito de pertença de um texto, é notável o exercício do leitor em buscar à leitura aquilo que lhe interessa. São as opções que cada ser humano faculta às suas atividades de consumo. No ambiente dos weblogs, isto encontrou-se explicitamente salientado por cada entrevistado desta pesquisa. Eles buscam ler aquilo que mais lhes interessam e isso por si só exprime a liberdade no processo de filtragem de cada um deles.

 

[101] Através de seu conteúdo textual.